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Disputa por recursos naturais expõe limites do mito do destino manifesto dos EUA, avaliam analistas

Especialistas apontam que interesses econômicos e estratégicos passaram a ser defendidos de forma mais direta por Washington, sem a antiga justificativa civilizatória

Sputnik Brasil 17/06/2026
Disputa por recursos naturais expõe limites do mito do destino manifesto dos EUA, avaliam analistas
Analistas avaliam disputa dos EUA por recursos naturais e áreas estratégicas - Foto: © telegram SputnikBrasil

A disputa por recursos naturais e áreas estratégicas tem exposto os limites do chamado Destino Manifesto, crença do século XIX segundo a qual os Estados Unidos teriam uma missão divina de expandir seu território e levar a “civilização” a outros povos, frequentemente tratados como inferiores pela visão norte-americana da época.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Roberto Moll Neto, professor de História da América da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que essa ideia de “salvar o mundo” sempre encobriu interesses materiais, especialmente os da burguesia estadunidense.

Segundo o especialista, esse processo também contribuiu para a piora das condições de vida de muitos trabalhadores norte-americanos. Parte deles passou a apoiar Donald Trump, que prometia reindustrializar o país e recuperar empregos no setor industrial.

Para Tatiana Poggi, professora de História Contemporânea da UFF, o conceito de Destino Manifesto perdeu força porque os países centrais passaram a defender seus interesses de maneira mais direta, sem recorrer a justificativas morais ou civilizatórias.

“Por exemplo, Donald Trump, em sua ameaça de invasão à Groenlândia, ao Canadá, ao canal do Panamá, em todas elas, um argumento de Destino Manifesto não estava colocado ali. Era simplesmente: ‘Esses são os nossos interesses’”, afirmou Poggi.

A professora destaca ainda que essa tendência também se reflete na postura de empresas de tecnologia, bilionários e grandes conglomerados financeiros, que, segundo ela, demonstram de forma cada vez mais aberta que seus interesses não estão necessariamente ligados à preservação da humanidade.