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Luigi Mangione alegará ‘perturbação emocional extrema’ em julgamento por morte de CEO

Defesa psiquiátrica pode reduzir pena em processo estadual, caso júri aceite tese; julgamento está previsto para setembro em Nova York.

Estadao Conteudo 17/06/2026
Luigi Mangione alegará ‘perturbação emocional extrema’ em julgamento por morte de CEO
Luigi Mangione é escoltado para o tribunal estadual de Manhattan, em Nova York, em 16 de setembro de 2025. - Foto: AP/Seth Wenig, Arquivo

Luigi Mangione pretende invocar uma defesa psiquiátrica em seu julgamento estadual por homicídio, alegando que sofria de “perturbação emocional extrema” quando atirou contra Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 17, pelo juiz responsável pelo caso.

Se a tese for aceita pelo júri, Mangione poderá ser condenado por homicídio culposo, crime que prevê pena máxima de 25 anos de prisão, em vez de homicídio doloso, que poderia mantê-lo preso pelo resto da vida. A defesa por perturbação emocional, no entanto, não está disponível no processo federal contra ele, no qual também pode haver condenação à prisão perpétua.

O juiz Gregory Carro, de Nova York, anunciou a estratégia da defesa duas semanas depois de realizar uma audiência sigilosa sobre o tema. Segundo ele, a transcrição e outros registros da sessão serão tornados públicos posteriormente.

Carro afirmou que os advogados de Mangione levantaram pela primeira vez a possibilidade de uma defesa psiquiátrica no ano passado, em uma carta protocolada sob sigilo. A decisão foi confirmada em audiência realizada em 3 de junho, também de forma reservada, a pedido da defesa.

“O motivo do sigilo foi dar à defesa a oportunidade de determinar se iria prosseguir com essa tese e qual seria a natureza dela”, declarou Carro.

O juiz disse não esperar que o novo desdobramento atrase o julgamento estadual, previsto para começar com a seleção do júri em 8 de setembro. A próxima audiência pré-julgamento está marcada para 11 de agosto.

O promotor adjunto Joel Seidemann afirmou que pretende submeter Mangione a uma avaliação feita por um psiquiatra da acusação. Para viabilizar o procedimento, Carro informou que o réu poderá ser transferido em breve para o complexo prisional de Rikers Island, na cidade de Nova York. Atualmente, ele está detido em uma prisão federal no Brooklyn desde pouco depois de sua prisão, em dezembro de 2024.

Mangione, de 28 anos, declarou-se inocente das acusações estaduais e federais relacionadas ao homicídio ocorrido em 4 de dezembro de 2024. O julgamento federal, que inclui acusações de perseguição, está previsto para começar em 13 de outubro.

Sentado entre seus advogados e usando um terno azul, Mangione não demonstrou reação enquanto o juiz falava. Em audiência realizada em fevereiro, ele havia protestado contra a possibilidade de responder a dois julgamentos, dizendo a Carro: “É o mesmo julgamento duas vezes. Um mais um é dois. Dupla penalização, por qualquer definição de bom senso.”

A defesa baseada em perturbação emocional extrema não isentaria Mangione de responsabilidade pela morte de Thompson. A tese difere da alegação de inimputabilidade por insanidade, que poderia levar o réu a uma instituição psiquiátrica em vez de à prisão.

A advogada de Mangione, Karen Friedman Agnifilo, afirmou que a divulgação da transcrição da audiência sigilosa e dos materiais relacionados à defesa psiquiátrica poderá prejudicar o réu no processo federal.

“O motivo pelo qual solicitamos o sigilo é que essa defesa não está disponível no âmbito federal, e o Sr. Mangione está sendo processado federalmente, o que prejudica sua defesa em relação exatamente aos mesmos fatos”, disse Agnifilo.

O juiz deveria ter decidido sobre o assunto na terça-feira, 16, mas precisou adiar a análise por um dia porque os promotores não informaram à prisão onde Mangione está detido que ele deveria comparecer ao tribunal.

Brian Thompson, de 50 anos, foi morto enquanto caminhava para um hotel em Manhattan, a caminho da conferência anual de investidores do UnitedHealth Group. Imagens de câmeras de segurança mostraram um atirador mascarado disparando contra ele pelas costas. Segundo a polícia, as palavras “atrasar”, “negar” e “retirar” estavam escritas na munição, em referência a uma expressão usada para descrever práticas atribuídas a seguradoras para evitar o pagamento de indenizações.

Mangione, formado em uma universidade tradicional e prestigiada e integrante de uma família abastada de Maryland, foi preso cinco dias depois em um McDonald’s em Altoona, na Pensilvânia, a cerca de 370 quilômetros a oeste de Manhattan.

Em audiência realizada em 18 de maio, Carro determinou que uma arma e um caderno — que, segundo os promotores, ligam Mangione ao homicídio — poderão ser usados como provas contra ele. A arma, uma pistola impressa em 3D, corresponderia à utilizada para matar Thompson, de acordo com a acusação. O caderno descreve o desejo de “acabar” com um executivo de seguro de saúde e de se rebelar contra “o cartel mortal do seguro de saúde, movido pela ganância”.

Nesta quarta-feira, Carro rejeitou uma acusação relacionada a um carregador de arma que ele havia considerado inadmissível, por ter sido encontrado durante uma revista inicial na mochila de Mangione no McDonald’s.

Para sustentar a defesa baseada em perturbação emocional extrema, os advogados de Mangione terão de demonstrar que a perturbação foi intensa a ponto de privá-lo do autocontrole; que, em sua percepção, havia uma explicação ou justificativa razoável para esse estado; e que ele matou Thompson enquanto estava “sob a influência” dessa perturbação.

Com informações da Associated Press (AP).

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