Geral
Bolsas de NY fecham em queda de cerca de 1% após decisão do Fed e incertezas entre EUA e Irã
Manutenção dos juros pelo banco central norte-americano, mudanças no comunicado e ruídos geopolíticos pressionaram Wall Street
As bolsas de Nova York fecharam em forte queda nesta quarta-feira, pressionadas pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de manter os juros e pela retirada da orientação futura no primeiro comunicado sob o comando de Kevin Warsh. Relatos divergentes sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã também reacenderam temores quanto à fragilidade de um eventual acordo.
O Dow Jones encerrou o pregão em baixa de 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 recuou 1,21%, para 7.420,10 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 1,34%, fechando aos 26.021,66 pontos.
A cautela tomou conta de Wall Street ao longo da tarde e levou todos os setores do S&P 500 a encerrarem a sessão no campo negativo. Comunicação (-2,98%) e consumo discricionário (-2,69%) lideraram as perdas. Até segmentos que haviam iniciado o dia em alta, como tecnologia (-0,61%), perderam fôlego.
A primeira decisão do Fed sob Kevin Warsh reformulou o comunicado da autoridade monetária, retirando projeções futuras e alterando a forma de classificar o desempenho da economia norte-americana. Em entrevista coletiva, o presidente do banco central dos EUA indicou que novas mudanças podem ocorrer, mas evitou comentar possíveis trajetórias para os juros. Nas projeções e no chamado gráfico de pontos, porém, os dirigentes elevaram as expectativas de inflação e sinalizaram aumento dos Fed Funds nos próximos anos.
Os bancos regionais acentuaram as perdas após a decisão do Fed. O índice bancário KBW, do Nasdaq, caiu 0,36%. As ações do Western Alliance recuaram 3,74%, e as do Metropolitan Bank perderam 2,89%. Entre os grandes bancos, Goldman Sachs (+0,78%) e Morgan Stanley (+1,87%) avançaram, enquanto Wells Fargo (-1,46%) e Bank of America (-0,55%) fecharam em queda.
Esta também foi a primeira menção do Fed ao Oriente Médio como possível fonte de pressão inflacionária desde o início da guerra. Nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã com bombardeios caso o memorando de entendimento não seja assinado e um acordo final não seja alcançado. O movimento ocorre em meio a uma série de relatos divergentes da imprensa sobre as negociações entre os dois países e os termos do documento. As petrolíferas Chevron (-1,40%) e ExxonMobil (-0,79%) recuaram.
Parte das ações de tecnologia também sucumbiu ao ambiente de cautela, embora algumas empresas tenham destoado. A Micron subiu 2,20%, e a Broadcom avançou 4,30%, após receberem elevação de preço-alvo e manutenção de recomendação de compra pelo Citi e pelo JPMorgan, respectivamente. A Intel ganhou 3,46%, após anunciar testes de um novo processo de produção de chips.
A Robinhood também destoou do setor cripto e saltou quase 9%, impulsionada por uma elevação de preço-alvo após anunciar corte de 10% no número de empregados.
A AST Spacemobile avançou 3,87%, após o sucesso de uma missão para colocar satélites em órbita. Já a rival SpaceX reverteu os ganhos registrados na abertura e fechou em queda de 4,95%.
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