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CNI aponta que política de pisos mínimos eleva custo do frete da indústria em 16,4%

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra impacto maior para pequenas e médias empresas, especialmente no Nordeste

Estadao Conteudo 17/06/2026
CNI aponta que política de pisos mínimos eleva custo do frete da indústria em 16,4%
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A política de pisos mínimos elevados, em média, 16,4% dos custos do frete rodoviário em comparação a um cenário de negociação livre, segunda avaliação da indústria. O dado consta em estudo divulgado quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado com 1.571 empresas industriais entre os dias 1º e 13 de abril.

De acordo com o levantamento, o impacto tende a ser ainda maior para pequenas e médias empresas do Nordeste. Nesse recorte, a alta nos custos decorrente da política de pisos mínimos pode chegar a 19% entre as pequenas empresas e a 18% entre as médias. Entre as grandes empresas, o aumento é de 14%.

A percepção dos impactos também varia por região. As empresas localizadas no Nordeste registraram o maior aumento médio nos custos de transporte, de 20,3%, seguidos pelas do Norte, com 17,2%.

“Os resultados sugerem que características logísticas dessas regiões, como a maior dependência do transporte rodoviário e a relevância das operações de frete de retorno, ampliam os efeitos da política de pisos mínimos sobre os custos das empresas”, afirma a pesquisa.

A sondagem mostra ainda que 94% das empresas industriais que contratam transporte rodoviário identificam impactos negativos da política de pisos mínimos sobre os custos do frete. Além disso, 64% classificam esses efeitos como altos ou muito altos.

Segundo a CNI, oito em cada dez empresas consideram que a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para definir os pisos mínimos é parcial ou totalmente desalinhada da realidade operacional do setor.

A entidade também constatou que o tabelamento do preço do frete causa impactos mais expressivos em setores nos quais a logística representa parcela relevante dos custos de produção. Os efeitos devem ser sentidos nos maiores segmentos de extração mineral e de produtos minerais não metálicos, como fertilizantes, sal, gesso e cerâmica, com aumento médio próximo de 23% nos custos de transporte.

Também foram observados aumentos acima da mídia nacional nos setores de produtos alimentícios e de máquinas e equipamentos.

A CNI afirma ainda que a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete e em discussão no Congresso, amplia as preocupações da indústria ao fortalecer os mecanismos de fiscalização e suportar as deliberações para o descumprimento da tabela de fretes.

Entre as empresas que afirmam conhecer a medida, 85% apontam a elevação dos custos de transporte como principal preocupação. Outros 57% citam perda de competitividade, enquanto 35% mencionam riscos de insegurança jurídica.

A entidade defende alterações na MP durante sua tramitação no Congresso Nacional. A medida foi avaliada em comissão especial nesta quarta-feira, 17.