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Lula diz que Trump “fala muito e ouve pouco”; americano chama Brasil de “politicamente difícil”
Em encontro na França, presidente brasileiro defendeu urna eletrônica e Pix, criticou gastos militares e afirmou que o Brasil não pretende se envolver na disputa entre EUA e China.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (17), durante a Cúpula do G7, em Évian, na França, que os Estados Unidos deveriam aprender com o Brasil a realizar eleições mais tranquilas, ágeis e menos conturbadas.
Ao conversar com jornalistas, Lula defendeu o sistema eleitoral brasileiro e ironizou o presidente norte-americano, Donald Trump.
“Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso. Em menos de duas horas após terminar as eleições, já sabemos o resultado em 27 estados da federação, quem é o presidente eleito, senadores e deputados. A gente não fica como no século passado, com voto no papel e uma lista com 500 nomes. Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil, é meu amigo Trump”, declarou Lula. “Na próxima vez, vou levar uma urna eletrônica para ele ver como funcionar”, completou, em tom de ironia.
Ainda sobre Trump, Lula afirmou que o presidente dos Estados Unidos “fala muito e ouve pouco” e pode estar sendo influenciado por brasileiros que deixaram o país, como o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, dono da Refit, apontado como um dos maiores devedores de impostos do Brasil.
O presidente brasileiro também defendeu o Pix como exemplo de infraestrutura digital pública ao tratar da soberania digital dos países. Trump tem criticado o sistema brasileiro nos últimos meses, sob o argumento de que ele prejudicaria as empresas norte-americanas de cartão de crédito.
Trump chama o Brasil de “país politicamente difícil”
Mais cedo, Trump se encontrou com Lula durante o evento difícil e classificou o Brasil como um “país politicamente”, em coletiva de imprensa.
Segundo o presidente norte-americano, os dois trataram de temas como a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, embora ele não tenha detalhado o conteúdo da conversa.
Durante a fala, Trump informou, de forma imprecisa, a situação de um membro da família Bolsonaro, ao citar a prisão de “Bolsonaro Jr.”. A declaração indicou possível confusão entre nomes e incluiu comentários sobre o cenário político brasileiro.
Lula critica encontro do G7
Também na coletiva de imprensa, Lula criticou o fato de os países convidados não participarem da elaboração do documento final do encontro do grupo.
O presidente afirmou ainda que o G7 tem falhado em contribuir para a redução das guerras no mundo. Segundo ele, somente em 2025 foram investidos US$ 3 trilhões em armas de guerra, “e nem 10% disso para acabar com a fome”.
De acordo com Lula, a União Europeia, o Reino Unido e outros países ampliaram seus investimentos em armamentos, que chegam a cerca de 800 bilhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 4,69 trilhões.
Lula também citou os 15 bilhões de euros — cerca de R$ 87,9 bilhões — gastos anuais pela Alemanha com a guerra na Ucrânia e afirmou que esses recursos poderiam ser investidos na América Latina e na África.
China e EUA: Brasil não mete a colher
O presidente acrescentou que a ausência dos Estados Unidos e da União Europeia abriu espaço para a expansão da China, mas destacou que o Brasil não pretende se envolver na disputa entre as duas potências.
Por Sputnik Brasil
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