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Nordeste amplia em quase 50% o número de unidades de conservação em uma década

Novo painel do Data Nordeste dedicado ao tema aponta avanços das áreas protegidas na região, unidades de conservação e categorias de manejo

Ascom Sudene 17/06/2026
Nordeste amplia em quase 50% o número de unidades de conservação em uma década
Unidades de conservação são importantes para a preservação de espécies nativas da Caatinga, como o angico (imagem). - Foto: Depositphotos.com.

Recife (PE) – O Nordeste brasileiro ampliou em 52% o número de unidades de conservação ambiental na última década. A informação pode ser conferida no mais novo painel do Data Nordeste. A plataforma mostra que a região saiu de 485 áreas protegidas em 2015 para 738 em 2025, em uma área de mais de 25 milhões de hectares, equivalente a cerca de 35 milhões de campos de futebol.

 
As Unidades de Conservação (UCs) são áreas naturais protegidas por lei criadas para garantir a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Estes territórios são divididos em duas categorias: os de “proteção integral”, com foco na preservação e permissão apenas de uso indireto; e as áreas de “uso sustentável”, onde é permitida a exploração de forma compatível com a conservação.


“É um resultado interessante, mas nós sempre podemos melhorar. É importante observar o crescimento ao longo das décadas impulsionados pela criação de leis e diretrizes governamentais, então quanto mais ações pudermos alcançar, melhor”, comentou Ludmilla Calado, geógrafa da Sudene e coordenadora do Data Nordeste. Uma das medidas destacadas pela especialista é a Lei Federal nº 9.985/2000 que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).


Das 738 unidades registradas no Nordeste, 381 pertencem à esfera estadual, 280 ão deâmbito federal e 77 são de responsabilidade municipal. Bahia (296), Pernambuco (122) e Ceará (102) despontam como os estados com mais unidades de conservação. Em proporção territorial, medida em hectares, Bahia (10 milhões), Maranhão (9.2 milhões), e Piauí (6.9 milhões) possuem as maiores áreas de conservação. Entretanto, mais da metade das unidades de conservação presentes no Nordeste não possuem o chamado Plano de Manejo, documento fundamental para garantir a gestão, planejamento e proteção dessas áreas.


Na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e predominante no Semiárido, estão localizadas 299 unidades de conservação, que ocupam aproximadamente 9,8 milhões de hectares. Desse total, mais de 60% ainda não contam com plano de manejo. A maior parte das unidades está sob gestão estadual (156), seguida pelas federais (121) e municipais (12).


Mais informações


O painel também reúne informações sobre a presença de povos indígenas e quilombolas nas unidades de conservação. Os dados apontam que, entre 2001 e 2021, houve redução da cobertura de solo conservado em territórios indígenas e quilombolas, reflexo da pressão exercida por atividades como desmatamento, garimpo e grilagem, comprometendo as condições ambientais e os modos de vida dessas populações tradicionais.


Também é possível identificar os territórios com maior indicação de tendência à desertificação. Entre os municípios com os maiores percentuais de áreas suscetíveis à desertificação estão Montadas (PB), Areial (PB), Gavião (BA) e Calçado (PE), o que demanda uma atenção especial para essas regiões, como a criação de novas reservas para recuperar esses solos degradados.


Segundo Ludmilla Calado, o cruzamento dessas informações permite identificar áreas prioritárias para ações de conservação e recuperação ambiental. “Ao analisarmos esses dados, conseguimos localizar municípios que apresentam níveis críticos de degradação e, ao mesmo tempo, vazios de conservação. Isso fornece subsídios técnicos para orientar estudos, investimentos e discussões sobre a ampliação de áreas protegidas", concluiu.


Combate à desertificação

No Dia Nacional de Combate à Seca e à Desertificação, celebrado nesta quarta-feira (17), a Sudene também destaca os avanços da articulação que mobilizou estados, especialistas e sociedade civil na construção de novas estratégias para enfrentar um dos principais desafios ambientais do Semiárido brasileiro. Após concluir uma ampla rodada de escuta social, a Autarquia avançou para a elaboração dos novos Planos Estaduais de Combate à Desertificação (PAEs), instrumentos que irão orientar ações voltadas à recuperação de áreas degradadas, à segurança hídrica e à adaptação às mudanças climáticas.


Desenvolvido em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), o Programa de Ação Contra a Desertificação, Efeitos da Seca e Revisão dos Planos Estaduais (Proades) conta com apoio técnico e financeiro da Sudene. A iniciativa tem como foco atualizar instrumentos estaduais de planejamento para fortalecer ações de resiliência climática e combate à degradação do solo.