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Policial civil é indiciado por duplo homicídio qualificado após morte de colegas em viatura

Inquérito conclui que consumo excessivo de álcool precedeu os disparos; motivação do crime permanece um mistério

Redação 17/06/2026
Policial civil é indiciado por duplo homicídio qualificado após morte de colegas em viatura
Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes foram assassinados no dia 20 de maio, em Delmiro Gouveia - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) concluiu o inquérito sobre as mortes dos policiais civis Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes, assassinados no dia 20 de maio deste ano em Delmiro Gouveia, no Sertão do estado. Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (17), na Delegacia Geral, em Maceió, a comissão especial do caso confirmou o indiciamento do também policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho por duplo homicídio qualificado.

O suspeito está preso preventivamente desde o dia do crime. De acordo com o delegado Sidney Tenório, coordenador das investigações, as provas reunidas são contundentes.

"A comissão ouviu 18 pessoas, dentre elas quatro testemunhas oculares que presenciaram os disparos. Os relatos confirmaram que Gildate efetuou dois tiros dentro da viatura onde estavam as vítimas", detalhou o delegado. Após o crime, o indiciado teria deixado o local a pé.

Consumo de álcool e falta de motivação clara

A investigação revelou que os três agentes passaram horas bebendo juntos em uma choperia na cidade de Piranhas antes do episódio. Funcionários do estabelecimento relataram que o grupo consumiu nove rodadas de chope, mas reforçaram que não houve qualquer discussão ou desentendimento entre eles durante o período.

Exames toxicológicos: Descartaram o uso de substâncias ilícitas ou medicamentos controlados por parte das vítimas e do acusado.

Exames de alcoolemia: Apontaram altos níveis de álcool no organismo das vítimas. O teste de Gildate deu negativo, porém foi realizado 12 horas após o crime — tempo suficiente para o corpo metabolizar a substância. Testemunhas e imagens confirmam que ele apresentava sinais visíveis de embriaguez.

A perícia nos celulares dos envolvidos também foi concluída e descartou a hipótese de premeditação. Não foram encontradas mensagens de ameaça ou histórico de conflitos entre os colegas de farda.

Para a polícia, a motivação exata do crime permanece sem resposta. O delegado Flávio Dutra pontuou que apenas o próprio autor poderia esclarecer o que de fato motivou os disparos no interior do veículo. Em novos depoimentos, Gildate manteve a versão inicial de que sofreu um "apagão" e que não se recorda do momento dos tiros devido ao excesso de álcool.