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Trump sugere que Síria enfrente Hezbollah e amplia crise com Netanyahu
Segundo a Sputnik Brasil, declaração do presidente dos EUA foi interpretada como novo desgaste na relação com o premiê israelense
A crise entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu se aprofundou após o presidente norte-americano sugerir que o governo sunita da Síria poderia enfrentar o Hezbollah de forma mais eficaz do que Israel, ampliando o isolamento político do premiê israelense.
A relação, que já veio desgastada, deteriorou-se ainda mais depois que Trump afirmou que o novo regime sírio poderia assumir o combate ao Hezbollah de maneira mais “responsável” do que Israel. A declaração foi interpretada como um ataque direto a Netanyahu, segundo a Sputnik Brasil.
“Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém”, criticou Trump. “Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os outros, ele [Ahmed al-Sharaa, presidente sírio] fará o trabalho”, afirmou, demonstrando insatisfação com a condução israelense da intervenção.
A proposta de delegar à Síria a tarefa de derrotar o Hezbollah é considerada vencida pelos analistas, mas simboliza mais um golpe político contra Netanyahu, que já veio sendo alvo de críticas e insultos do presidente norte-americano nas últimas semanas.
A administração de Trump estaria relacionada ao aumento dos ataques israelenses no Líbano, que dificultaram um acordo com o Irã. A pressa do presidente dos Estados Unidos em encerrar a guerra acabou atropelando Netanyahu, que, a cinco meses das eleições, aparece cada vez mais isolado e sem ter alcançado seus objetivos estratégicos contra Teerã.
No cenário interno, o primeiro também enfrentou perda de apoio, já que a promessa de levar paz aos israelenses por meio da guerra não se concretizou. A assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã, feita sem sua participação, ampliou o desgaste, inclusive entre aliados dentro de Israel, de acordo com fontes citadas pela reportagem.
Netanyahu, que convenceu Trump a entrar no conflito, acabou excluído das negociações de saída e sequer teve acesso aos termos do acordo. Ainda assim, demonstra disposição de manter tropas no sul do Líbano, apesar do crescente isolamento político.
Analistas como Amos Harel, do jornal Haaretz , classificaram o confronto com o Irã como um dos maiores fracassos da carreira do premiê, atrás apenas do ataque do Hamas em 2023. Para eles, o Irã sai fortalecido, enquanto os objetivos iniciais de Trump — como conter o programa nuclear iraniano — foram substituídos pela prioridade de reabrir o estreito de Ormuz, cuja instabilidade afeta a cadeia global do petróleo.
A crise também corroeu a influência de Netanyahu nos Estados Unidos. Antes admirado por Trump, o primeiro-ministro agora é descrito pelo presidente como “maluco” e “sem bom senso”. Ainda assim, decretar sua derrota política é considerado prematuro, já que ainda falta claro sobre o memorando entre Estados Unidos e Irã. Dependendo dos termos, o documento pode oferecer a Netanyahu mais uma chance de política de sobrevivência.
Por Sputnik Brasil
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