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Responsáveis por rope jump não explicam por que jovem saltou sem cordas
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada da Ponte do Esqueleto, em Limeira; caso é investigado como homicídio com dolo eventual.
Os responsáveis pela operação do salto de rope jump que terminou com a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira, no interior de São Paulo, afirmaram à Polícia Civil que não sabem explicar por que a jovem foi lançada da ponte sem as cordas de segurança.
Um dos investigados declarou, em depoimento divulgado pelo portal g1, que as inspeções eram realizadas normalmente antes dos saltos. “No dela, estamos sem entender até agora”, afirmou.
Ao relatar o que ocorreu após a queda, ele disse ter descido até o local onde a jovem recebia socorro. “Eu estava na ponte, desci lá embaixo e tinha uma enfermeira fazendo RCP [manobra de emergência realizada em casos de parada cardiorrespiratória]. Aí o resgate chegou e eu subi para o alto da ponte”, declarou.
Maria Eduarda morreu no sábado, 13, após saltar da Ponte do Esqueleto. Segundo a Polícia Civil, ela deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas nenhuma delas estava instalada no momento da atividade.
De acordo com a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, os três funcionários ligados à operação e que permanecem presos disseram em depoimento que não se lembram de quem deveria instalar ou fiscalizar os equipamentos de segurança.
Outro investigado afirmou que a instalação e a conferência das cordas eram feitas de forma alternada entre os integrantes da equipe, sem uma definição rígida sobre quem executaria cada etapa em cada salto.
“Às vezes a gente coloca, outro confere; outro confere, outro coloca. Às vezes a gente faz, outro vem e vê se está certo. Era mais ou menos isso”, disse. Questionado sobre quem deveria ter instalado ou fiscalizado as cordas no salto de Maria Eduarda, o funcionário respondeu: “Não lembro”.
O investigado classificou o caso como uma fatalidade e afirmou que os envolvidos não conseguem compreender como o acidente ocorreu. “Foi realmente uma fatalidade. Ninguém sai de casa para cometer um negócio desse, matar uma pessoa. Todo mundo lá é tarado por esporte. É uma rapaziada que gosta e se juntou para fazer isso”, declarou.
Em outro trecho, ele afirmou que a ausência das cordas deveria ter sido percebida pela equipe. “A gente fala que não entende porque é visível a corda. É difícil entender como não viu”, disse. O investigado acrescentou que a colocação dos equipamentos era normalmente feita por ele e por outro integrante da operação.
O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte, mesmo sem a intenção direta de matar. Além da dinâmica do acidente, a polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com a jovem no momento da queda.
Testemunhas ouvidas pela reportagem afirmaram que os responsáveis pela atividade organizavam os saltos por meio de um grupo de WhatsApp. Segundo os relatos, o grupo reunia participantes das atividades e compartilhava orientações sobre segurança, além de dicas sobre vídeos com potencial de viralização nas redes sociais.
De acordo com o coordenador pedagógico Rafael Goulart, que estava no local no dia do acidente, os participantes só descobriram após a tragédia que o grupo responsável pelos saltos não possuía registro formal. “Essa empresa, na verdade, não existe. Eles não tinham registro, não tinham CNPJ”, afirmou.
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