Geral

Lula e Trump se cumprimentam em evento social do G7

Contato ocorreu entre apresentação de coral e jantar oferecido por Emmanuel Macron; não houve registro em imagens nem reunião bilateral

Estadao Conteudo 17/06/2026
Lula e Trump se cumprimentam em evento social do G7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumpriram durante um evento social na noite de terça-feira (16), na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Os dois participaram da apresentação de um coral organizado pelo governo francês, depois de um jantar, ocasião em que foram trocados cumprimentos.

Uma das principais expectativas da viagem de Lula aos Alpes Franceses era a possibilidade de uma reunião com o presidente americano para tratar da ameaça de um novo aumento de tarifas contra o Brasil. O Itamaraty, no entanto, descartou rapidamente que uma reunião bilateral aconteceu em negociação.

Com isso, a expectativa passou a ser de que os dois líderes poderiam trocar algumas palavras nos corredores da cúpula. Até o evento social, Lula e Trump praticamente não tiveram interação nos momentos em que estavam no mesmo ambiente.

Segundo relatos, o cumprimento ocorreu em algum momento entre a apresentação do coral e o jantar oferecido pelo presidente francês, Emmanuel Macron. O evento foi restrito aos chefes de Estado, e não houve registro em imagens do momento.

Durante a chamada foto de família do G7 ampliada, que inclui os países convidados, Lula e Trump ficaram distantes e não interagiram. O mesmo ocorreu na reunião do G7 ampliada sobre solidariedade internacional, quando o presidente brasileiro fez um discurso com críticas indiretas ao governo americano.

Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado respeite a soberania nacional de cada país — uma retórica que tem ganhado espaço em sua estratégia política nas últimas semanas.

"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgiram como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", afirmou o presidente.

"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza as comunidades e desvia os recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", disse Lula.

Na reunião, Lula sentou-se praticamente de frente para Donald Trump. O republicano é cético em relação ao multilateralismo e tem adotado medidas protecionistas nos Estados Unidos, como as tarifas, criando o que chama de “Doutrina Donroe”, em referência a Doutrina Monroe.

Desde o ano passado, quando Trump impôs pesadas tarifas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, Lula tem apostado no discurso da soberania com atenção aos efeitos políticos internos.

Neste ano, o presidente reforçou essa retórica após o pré-candidato ao PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, visitar Trump na Casa Branca, dias antes do anúncio das tarifas e da inclusão de facções criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas.

Nesta quarta-feira (17), Lula faz um novo discurso na reunião “Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentado em benefício de todos”, que começou com atraso.

Também está prevista uma reunião bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, além de um almoço de trabalho sobre inteligência artificial com participação de representantes de big techs.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, solicitou uma reunião bilateral com Lula, que se mostrou disposto a recebê-lo. Nesta quarta-feira, o governo informou que o encontro estava previsto, mas poderia ser cancelado caso os eventos anteriores sofressem novos atrasos.