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Investimento japonês nos EUA acende alerta sobre produtividade interna

Executivo Yoshimitsu Kobayashi questiona a sustentabilidade de fundo bilionário para infraestrutura norte-americana enquanto o Japão enfrenta estagnação e baixo investimento doméstico.

Sputnik Brasil 17/06/2026
Investimento japonês nos EUA acende alerta sobre produtividade interna
Investimento japonês nos EUA levanta debate sobre produtividade e aportes internos no Japão - Foto: © AP Photo / Julia Demaree Nikhinson

Uma experiência executiva japonesa alertou que Tóquio não pode sustentar indefinidamente os US$ 550 bilhões prometidos para infraestrutura nos Estados Unidos enquanto a produtividade doméstica permanece estagnada e o investimento interno segue fraco.

Yoshimitsu Kobayashi, presidente do think tank Japan Productivity Center, afirmou à mídia britânica que o ritmo crescente dos investimentos japoneses nos EUA pode se tornar potencialmente “infinito”, em um momento em que a produtividade interna do Japão continua pressionada.

A crítica ocorre enquanto as empresas japonesas ampliam sua presença no mercado norte-americano, apesar da estagnação econômica no próprio país.

O alerta vem após Tóquio liberar um fundo de US$ 550 bilhões, cerca de R$ 2.772 trilhões, para financiar projetos de infraestrutura nos EUA. A medida foi criada sob pressão do governo de Donald Trump para evitar tarifas punitivas. Kobayashi questiona se o Japão tem condições de manter esse nível de investimento externo enquanto reduz os transportes considerados essenciais para revitalizar sua economia.

Em entrevista a um jornal europeu especializado em economia, o executivo afirmou que o país “não teve escolha” diante das ameaças de Washington. Ele percebeu, no entanto, que o fundo também atende a interesses de empresas japonesas que buscam expandir operações nos Estados Unidos, como ocorreu na compra da US Steel pela Nippon Steel por US$ 15 bilhões, mais de R$ 75,6 bilhões.

Kobayashi tornou-se uma das primeiras figuras de destaque a questionar publicamente a previsão do fundo e seus impactos sobre o investimento interno, tema considerado central pelo governo japonês. A administração da primeira-ministra Sanae Takaichi fez uma meta de aumentar a produtividade do trabalho em 15% em cinco anos, mas enfrentou um cenário de baixa renovação econômica desde a crise de 2008.

O think tank japonês aponta que o fraco investimento doméstico, somado ao envelhecimento populacional, tem limitado a capacidade de modernização das empresas. O quadro intensifica as dúvidas sobre a possibilidade de conciliar ambições externas com a necessidade urgente de fortalecer a economia interna.

O fundo, operado pelo Banco Japonês para Cooperação Internacional e por bancos privados apoiados pela Nexi, prevê uma divisão inicial de lucros entre os dois países. Após o Japão recuperar seu esporte, porém, os Estados Unidos passam a ficar com uma fatia de 90% dos ganhos.

O desenho do programa foi criticado por conceder a Trump poder final sobre a escolha dos projetos. Entre os empreendimentos já previstos estão usinas nucleares e gás avaliados em até US$ 109 bilhões, aproximadamente R$ 549,36 bilhões.

Kobayashi estima que os bancos japoneses ainda investirão entre ¥ 5 trilhões, cerca de R$ 170 bilhões, e ¥ 10 trilhões, mais de R$ 340 bilhões. Ainda assim, consideramos provável que esse ritmo seja interrompido indefinidamente.

Por Sputnik Brasil