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Cenário eleitoral e piora do câmbio pressionam juros futuros

Taxas subiram em movimento de correção, apesar da queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries no exterior

Estadao Conteudo 16/06/2026
Cenário eleitoral e piora do câmbio pressionam juros futuros
- Foto: Depositphotos

Os juros futuros fecharam o dia em alta nesta terça-feira (16), em um movimento de correção após os últimos dias de alívio nos prêmios de risco. A pressão foi puxada principalmente por fatores domésticos. No exterior, houve queda firme do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, mas as taxas locais não acompanharam o movimento. Pesaram sobre os agentes financeiros pesquisas eleitorais desfavoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além da piora do câmbio.

No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 tinha taxa de 14,255%, estável ante o ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2028 projetava taxa de 14,420%, ante 14,355% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2029 estava em 14,405%, de 14,329%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 14,251% para 14,285%.

Na primeira etapa dos negócios, o recuo do petróleo, os dados fracos do varejo e o IGP-10 próximo ao piso das estimativas mantinham as taxas em queda. A trajetória de alta começou a ganhar força no fim da manhã, por volta das 11h, após a divulgação da pesquisa CNT/MDA. Segundo o levantamento, o presidente Lula ampliou a vantagem sobre o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, considerado o principal nome da direita. Em um eventual segundo turno, Lula, com 49,3% das intenções de voto, venceria Flávio, que aparece com 36,8%. No levantamento de abril, os porcentuais eram de 45% e 40%, respectivamente.

"A pesquisa CNT indicou o presidente Lula abrindo ainda mais vantagem em relação a Flávio Bolsonaro. A continuidade do governo Lula implica deterioração das contas públicas", explicou Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital. "O dólar também subiu próximo a R$ 5,10, piorando o quadro para a inflação", completou.

A pesquisa CNT/MDA se somou a outros dois levantamentos divulgados mais cedo, que também indicaram um cenário difícil para Flávio. A pesquisa Futura/Apex mostrou Lula com 48,1% e o pré-candidato do PL com 42,9% em eventual segundo turno. Já a RealTime Big Data apontou o senador com 47% e Lula com 44%, em quadro de empate técnico.

O estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital, avalia que o movimento das taxas nesta terça foi um ajuste, tendo como principal argumento o quadro eleitoral. "A pesquisa CNT/MDA não mostra uma mudança grande em relação a outras que a gente vinha vendo. Está mais para a continuidade daquele movimento que é, talvez, um cenário de eleição de Lula se fortalecendo versus um cenário de Flávio Bolsonaro", afirmou.

Vital lembra que a questão fiscal, embutida na leitura das pesquisas, vinha ganhando destaque nas últimas semanas, com a votação das chamadas "pautas-bomba" no Congresso e novas medidas do governo. Ainda assim, o ambiente externo estava mais pesado e acabava se sobressaindo. Agora, com a perspectiva de fim da guerra e de abertura do Estreito de Ormuz, pode haver redução da pressão inflacionária, o que ajudaria no alívio da política monetária. O petróleo caiu mais de 5%, com o tipo Brent fechando abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde março. "O Banco Central vai ter um mercado menos pressionado para decidir", disse, em referência à reunião do Copom.

A aposta em corte de 25 pontos-base na Selic nesta quarta-feira segue predominante. As opções digitais na B3 mostram 84% de probabilidade de redução, contra 16% de chance de manutenção da taxa em 14,50%. Os indicadores divulgados pela manhã, de certo modo, dão conforto. As vendas no comércio recuaram 1,5% em abril, na margem, pelo conceito restrito, perto do piso das estimativas, de -1,6%. No conceito ampliado, a queda de 0,7% foi maior do que apontava o piso, de -0,6%. Ao mesmo tempo, o IGP-10 de junho caiu 0,30%, também próximo ao piso das expectativas, de -0,35%.

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