Geral
Zelenski pede encontro com Lula no G7, mas reunião ainda é incerta
Presidente ucraniano busca apoio para pressionar a Rússia por um acordo de paz; eventual encontro com Lula só poderia ocorrer na quarta-feira
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, solicitou uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, segundo uma fonte do governo brasileiro. Lula afirmou estar disposto a se reunir com o líder ucraniano, mas ainda não há confirmação de que o encontro ocorrerá. Caso seja agendado, a única possibilidade será na quarta-feira, último dia da cúpula.
Zelenski tenta ampliar o apoio internacional para pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, a negociar um acordo de paz. Convidado a participar da reunião do G7, o ucraniano foi o principal foco das discussões na manhã desta terça-feira, quando os líderes trataram da guerra na Ucrânia.
Lula e Zelenski já tiveram divergências públicas no passado, especialmente em razão da postura do brasileiro em relação a Putin. Os dois, no entanto, se encontraram na última Assembleia-Geral da ONU.
A cúpula do G7 começou na segunda-feira, 15, e segue até quarta-feira, 17, com a participação dos líderes da Alemanha, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Japão e Estados Unidos, além de convidados de outros países. Lula foi convidado em fevereiro pela presidência francesa, mas só aceitou o convite no início deste mês. O presidente brasileiro chegou à cidade turística na segunda-feira e já se reuniu com Emmanuel Macron e com o presidente da Suíça, Guy Parmelin.
Nesta terça-feira, Lula também se reuniu com os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa. No encontro, os três definiram a criação de um canal bilateral para tratar das barreiras europeias a produtos brasileiros de proteína animal e siderurgia.
“Os três trataram de temas da agenda bilateral, em particular das medidas de restrição a produtos brasileiros adotadas recentemente pela parte europeia”, informou o Planalto, em comunicado. “Definiram um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão, com vistas a identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos.”
De acordo com o Itamaraty, o mecanismo tem como objetivo buscar soluções que contemplem as preocupações europeias e, ao mesmo tempo, os legítimos interesses exportadores do Brasil.
Funcionários do governo brasileiro explicaram que o mecanismo não será institucionalizado formalmente. Trata-se de um canal de diálogo, em nível de assessores das diplomacias do Brasil e da União Europeia, para tratar de questões técnicas que preocupam o bloco europeu.
Zelenski é recebido na cúpula
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, foi recebido por Macron nesta terça-feira antes de uma sessão de trabalho com os líderes do G7 para discutir a guerra na Ucrânia. Intitulada “Construindo a paz e a segurança para a Ucrânia e a Europa”, a reunião começou às 10h no horário local, 5h no horário de Brasília, e durou mais de uma hora.
Donald Trump chegou atrasado à reunião e não cumprimentou Zelenski, que foi recebido com um abraço pelo secretário de Estado Marco Rubio no corredor. O líder ucraniano foi acolhido de forma calorosa pelos demais chefes de Estado e de governo do G7.
Embora o subtexto da cúpula indique que a Europa se prepara cada vez mais para um futuro com os Estados Unidos como parceiro menos previsível, Trump e Zelenski sentaram-se em lados opostos de Macron à mesa. O gesto sinalizou que um dos objetivos da sessão era manter os EUA engajados nas discussões sobre a Ucrânia.
As negociações ocorrem logo após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um acordo para encerrar o conflito envolvendo o Irã. Trump afirmou ter mantido boas conversas no domingo com Zelenski e Putin. “Agora que isso acabou, vamos nos concentrar nisso”, disse ele durante a cúpula do G7.
Nas últimas semanas, a tensão com o Irã ofuscou a guerra na Ucrânia, iniciada pela Rússia sob o comando de Vladimir Putin. Macron afirmou que tentará persuadir Trump a manter o apoio a Kiev e a aumentar a pressão sobre Moscou para viabilizar um acordo de paz.
Horas antes do início da cúpula do G7, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra as maiores cidades da Ucrânia. O ataque matou 11 pessoas e atingiu um importante local religioso, que foi incendiado.
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