Geral
Ibovespa cai 0,45% pressionado por petróleo, fiscal e expectativa sobre juros
Recuo de mais de 5% do Brent, cautela com Fed e Copom e incertezas fiscais pesaram sobre os ativos domésticos
O Ibovespa manteve a trajetória de queda na tarde desta terça-feira (16), pressionado pelo recuo de mais de 5% do petróleo, pela expectativa de comunicados mais duros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e do Comitê de Política Monetária (Copom), ambos previstos para esta quarta-feira (17), além do desconforto com o quadro fiscal brasileiro.
O ambiente de cautela ganhou reforço com a decisão da Fitch de manter a nota de crédito do Brasil em 'BB', com perspectiva estável. A agência sinalizou que a escala e a qualidade do ajuste fiscal dependerão do resultado das eleições no País.
Desde cedo, investidores também monitoraram a nova pesquisa CNT/MDA, que indicou vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. O levantamento adicionou prêmio de risco aos ativos domésticos. Em tese, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria associado a uma agenda mais favorável ao mercado financeiro, mas a própria Fitch ponderou que a implementação de políticas segue "altamente incerta".
Depois de atingir máxima de 170.415,52 pontos, com variação próxima de zero, e mínima de 169.121,31 pontos, em queda de 0,76%, ambos os patamares registrados pela manhã, o Ibovespa fechou em baixa de 0,45%, aos 169.648,47 pontos. O giro financeiro foi de R$ 27,51 bilhões.
A Braskem liderou as perdas, com queda de cerca de 9%, pressionada pela decisão da Justiça de Alagoas de tornar a petroquímica ré por crimes ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió. Também ficaram entre os destaques negativos ações consideradas cíclicas, mais sensíveis à perspectiva de juros elevados por mais tempo. Entre as blue chips, Petrobras recuou cerca de 1%.
"O petróleo em baixa, com o acordo entre EUA e Irã, acaba pesando sobre o índice, que é bastante relacionado a commodities, especialmente óleo e gás", afirmou o analista Matheus Spiess, da Empiricus.
Nesta terça-feira, o contrato do Brent para agosto fechou em queda de 5,06%, a US$ 78,96 por barril. Investidores avaliaram o acordo entre Estados Unidos e Irã, que pode autorizar a retomada imediata das exportações iranianas como parte dos termos para encerrar o conflito. Foi a primeira vez desde março que o petróleo fechou abaixo de US$ 80 por barril.
No cenário doméstico, embora as vendas no varejo tenham registrado em 2026 o pior abril desde 2020, a expectativa dos investidores ainda é de que o Copom apresente um comunicado mais duro na reunião desta quarta-feira, assim como o Fed. "A realidade ainda é de um mercado de trabalho forte e inflação ruim qualitativamente. Consequentemente, o espaço para corte de juros acaba sendo restrito", disse Spiess. Segundo ele, empresas mais alavancadas, sensíveis a juros ou ligadas ao ciclo doméstico estiveram entre os principais destaques de baixa.
O economista e analista Marcos Vinícius Oliveira, da ZIIN Investimentos, observou que há chance de o Copom indicar uma pausa na flexibilização monetária na reunião desta quarta-feira. "O mercado já tem adotado mais cautela em relação à política monetária, principalmente por causa dos dados de atividade no Brasil e da inflação ainda pressionada", comentou.
A curva de juros voltou a abrir nesta terça-feira, em movimento atribuído também ao desconforto com o resultado da pesquisa eleitoral CNT/MDA, que mostrou fortalecimento das intenções de voto do presidente Lula. Para Oliveira, a deterioração de Flávio Bolsonaro nas pesquisas voltou a influenciar os preços, sobretudo porque ele era visto como um candidato capaz de rivalizar com Lula e trazer maior potencial de alta para a renda variável.
Na avaliação de Spiess, da Empiricus, uma eventual reeleição de Lula reduziria as chances de uma reforma mais profunda na área fiscal.
A decisão da Fitch de manter a nota de crédito do Brasil em 'BB', com perspectiva estável, não teve impacto relevante nos preços dos ativos.
Para Oliveira, da ZIIN Investimentos, a agência de classificação de risco poderia até ter adotado um tom mais pessimista, diante da falta de sinalização, tanto do governo quanto da oposição, de um compromisso mais crível com o equilíbrio fiscal.
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