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G7 amplia pressão por fim da guerra na Ucrânia, e Trump admite retomar sanções à Rússia
Líderes do grupo discutem novas medidas contra Moscou após ataque russo a Kiev; presidente dos EUA diz que fará “tudo o que puder” para encerrar o conflito.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta terça-feira, 16, fazer o possível para pôr fim à guerra na Ucrânia, após os aliados do G7 decidirem, durante cúpula na França, ampliar a pressão sobre a Rússia.
Ao chegar a Evian, aos pés dos Alpes franceses, Trump afirmou, na véspera, que pretendia "fazer algo" em relação ao conflito ucraniano, que já se arrasta há mais de quatro anos. A declaração ocorreu depois de o governo americano alcançar um memorando de entendimento com o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido concordaram em aumentar a pressão sobre Moscou na presença do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Durante o encontro, ele apresentou imagens do ataque russo que incendiou, na véspera, uma catedral histórica em Kiev.
O líder alemão, Friedrich Merz, disse sentir "certo otimismo" de que europeus e americanos possam "pôr fim à guerra juntos". Segundo ele, Trump se mostrou "receptivo e disposto a cooperar".
O presidente americano, no entanto, sempre evitou apontar um país como único culpado pelo conflito e costuma atribuir a Kiev e Moscou níveis semelhantes de responsabilidade.
Trump afirmou que as sanções contra a Rússia, atenuadas durante a guerra com o Irã para ajudar a conter os preços do petróleo, podem voltar a ser impostas à medida que aumenta o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
"Em breve poderemos fazer isso, porque o petróleo já está fluindo", disse Trump a jornalistas. "Estamos em condições de fazer isso em breve."
Em março, os Estados Unidos aliviaram temporariamente algumas sanções sobre determinados carregamentos de petróleo russo devido à forte alta dos preços do petróleo bruto. A isenção foi prorrogada posteriormente.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciaram novas sanções contra a chamada "frota fantasma", usada pela Rússia para transportar petróleo e outras mercadorias apesar das restrições impostas pelo Ocidente.
"É fantástico que todos entendam que a Rússia não vai vencer e que devemos pressionar Vladimir Putin para que ponha fim a esta guerra", reagiu Zelenski. O presidente ucraniano foi convidado pelo anfitrião da cúpula, o presidente francês Emmanuel Macron, a permanecer no encontro até o encerramento, na quarta-feira, 17.
"A Rússia deveria alcançar um acordo" com a Ucrânia, afirmou Trump à imprensa no segundo dia da cúpula. "A única razão pela qual me envolvo nisso é que não gosto de ver 25 mil jovens morrerem a cada mês. Admitam que tudo isso é ridículo. Então, sim, farei tudo o que puder" para encerrar o conflito, acrescentou.
As negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos estavam praticamente estagnadas desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. Durante a cúpula, Trump se reuniu por cerca de 20 minutos, em caráter privado, com Zelenski e deveria voltar a encontrá-lo à tarde. O último encontro entre os dois havia ocorrido em 28 de dezembro, na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida.
Segundo um participante da reunião, o presidente americano parabenizou Zelenski pelo "desempenho" do Exército ucraniano no terreno e admitiu que a "dinâmica" do conflito favorecia a Ucrânia.
Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, a Ucrânia passou por uma guinada estratégica e se tornou um ator relevante na indústria de defesa, especialmente pela produção de drones. Ainda assim, o país segue dependendo fortemente do apoio ocidental.
Os líderes do G7 também devem reforçar o apoio a Kiev, com o fornecimento de "meios de defesa antiaérea, meios para se proteger melhor e meios para consolidar seus avanços", segundo uma fonte diplomática francesa. O Reino Unido anunciou que fornecerá urânio enriquecido à Ucrânia para suas usinas nucleares.
Horas antes do início da cúpula, na segunda-feira, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra as maiores cidades ucranianas, em um ataque que matou 11 pessoas e incendiou um monumento religioso.
Os ataques ocorreram depois de Zelenski e Putin conversarem separadamente por telefone com Trump no domingo, 14, data do 80º aniversário do líder americano.
Durante a campanha presidencial de 2024, na qual buscava retornar à Casa Branca, Trump afirmou que poderia encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia em 24 horas após assumir o cargo. No entanto, as negociações fracassaram, e o presidente americano reconheceu que a tarefa se mostrou muito mais difícil do que imaginava.
A Ucrânia iniciou oficialmente, na segunda-feira, as negociações para sua adesão à União Europeia, abrindo um processo que exigirá anos de reformas políticas, mesmo enquanto o país luta contra a invasão russa.
Kiev vê a entrada na União Europeia como uma garantia de segurança para um futuro estável após o fim da guerra. A principal garantia, porém, seria a adesão à aliança militar da Otan. O governo Trump insiste que isso não pode acontecer, enquanto outros países temem admitir a Ucrânia na aliança enquanto a guerra estiver em curso.
*Com informações de agências internacionais.
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