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Lula discute entraves comerciais com líderes europeus após restrições a produtos brasileiros

Brasil e União Europeia vão criar mecanismo bilateral para buscar soluções a barreiras que afetam exportações de origem animal e do setor siderúrgico

Sputnik Brasil 16/06/2026
Lula discute entraves comerciais com líderes europeus após restrições a produtos brasileiros
Lula se reúne com líderes europeus durante a cúpula do G7 para discutir entraves comerciais - Foto: © Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se nesta terça-feira (16), à margem da cúpula do G7, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro ocorreu em meio às recentes restrições impostas pelo bloco europeu a produtos brasileiros.

Segundo o Palácio do Planalto, os líderes trataram especialmente das medidas adotadas pela União Europeia que afetam exportações do Brasil, sobretudo nos setores de produtos de origem animal e da siderurgia.

Durante a reunião, ficou acertada a criação de um mecanismo bilateral, com participação do Ministério das Relações Exteriores e de representantes da Comissão Europeia, para identificar os entraves e buscar soluções para as dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros.

As partes também se comprometeram a avançar em respostas que considerem tanto as preocupações europeias nas áreas sanitária, fitossanitária e de proteção da indústria do aço quanto os interesses comerciais do Brasil, em consonância com o acordo entre Mercosul e União Europeia.

Ao comentar as restrições da União Europeia à carne brasileira, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que práticas protecionistas comprometem as regras multilaterais e a previsibilidade do comércio.

“Não podemos esquecer que o protecionismo está sempre à espreita, como demonstram as últimas restrições da UE às exportações de carne brasileiras e as tarifas impostas pelos EUA à revelia da OMC [Organização Mundial do Comércio]”, afirmou.

Combate integrado ao narcotráfico e respeito à soberania dos países

Mais cedo, em discurso na sessão do G7 dedicada à segurança internacional, Lula afirmou que o combate ao narcotráfico deve ser acompanhado do enfrentamento a outros crimes transnacionais, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.

“O crime organizado aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”, disse.

As declarações ocorrem após os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas, medida que gerou debates sobre possíveis implicações para a soberania brasileira.

Além da pauta de segurança, Lula defendeu no G7 que países detentores de minerais críticos obtenham ganhos econômicos em etapas de maior valor agregado das cadeias produtivas, e não apenas na extração das matérias-primas.

Segundo o presidente, esses países devem participar de processos de industrialização, transferência de tecnologia e formação de capacidades, de acordo com suas necessidades nacionais.

Ao abordar a transformação digital e o avanço da inteligência artificial, Lula enfatizou que as novas tecnologias não podem aprofundar desigualdades históricas. “As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”, afirmou.

O presidente também defendeu a ampliação de parcerias internacionais que permitam o desenvolvimento e o acesso a tecnologias de ponta por um número maior de países.

Por Sputnik Brasil