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Unesp lança centro de pesquisa para dimensionar impactos da educação musical na saúde mental de estudantes e profissionais do segmento

Assessoria 16/06/2026
Unesp lança centro de pesquisa para dimensionar impactos da educação musical na saúde mental de estudantes e profissionais do segmento
Unesp lança centro de pesquisa para dimensionar impactos da educação musical na saúde mental de estudantes e profissionais do segmento - Foto: Fabio Mazzitelli / ACI Unesp

Centro Interdisciplinar para o Desenvolvimento da Pesquisa em Música tem financiamento da Fapesp e, com um arco de colaborações que envolve cientistas do Brasil e do exterior, vai trabalhar na criação de metodologias de avaliação e de indicadores a partir da experiência de participantes dos projetos Guri e Emesp Tom Jobim

A Unesp lançou nesta segunda-feira (15) no auditório do Conselho Universitário do prédio da Reitoria, na região central da capital paulista, o Centro Interdisciplinar para o Desenvolvimento da Pesquisa em Música (CiDPMus), o sétimo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) financiando pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) com sede na Universidade.

Serão investidos pela Fapesp R$ 7,7 milhões em um período de cinco anos para pesquisas que têm como objetivo futuro trabalhar na criação de metodologias de avaliação e de indicadores que possam dimensionar impactos da educação musical na saúde mental das pessoas, a partir do levantamento e da análise de dados do universo de dois projetos culturais consolidados no estado, o Projeto Guri e a Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp) Tom Jobim.

Tais projetos estão vinculados à Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado de São Paulo, sob gestão da organização social Santa Marcelina Cultura, entidades parceiras no centro de pesquisa. Os CCDs financiados pela Fapesp são pensados para dialogar com órgãos públicos para solucionar problemas patentes da sociedade.

A coordenação do CiDPMus caberá à Graziela Bortz, docente do Instituto de Artes do câmpus de São Paulo. O centro foi estruturado com base em um olhar interdisciplinar para o problema e terá pesquisadores parceiros de outras instituições de ensino superior do Brasil e do exterior, tais como Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Estadual de Londrina, UFABC, UFSCar, USP, Universidade de Ostfold (Noruega), a University of Southern California e Indiana University (as duas últimas dos Estados Unidos).

De acordo com Graziela Bortz, na fase inicial, o centro de pesquisa vai trabalhar na obtenção de dados de saúde mental de cerca de 2.000 adolescentes e jovens que estão nos projetos Guri e Emesp Tom Jobim, no interior (Bauru, Presidente Prudente e São Carlos) e na capital. Outras 2.000 pessoas serão selecionadas para compor o grupo de controle da pesquisa, totalizando cerca de 4.000 participantes.

Serão coletados questionários relacionados à saúde mental para mapear fatores de proteção (promoção da saúde emocional, redução sistêmica de estresse e desenvolvimento cognitivo) e fatores de risco (alta pressão por performance, gatilhos para transtornos mentais existentes na rotina de estudantes e profissionais) que dizem respeito ao envolvimento com música e educação musical.

“São questionários de saúde mental e uso de drogas, basicamente. O resultado vai apontar em que direção as instituições podem trabalhar”, diz a professora Graziela Bortz. “Podemos fazer um diagnóstico institucional e saber se as instituições podem atuar para minimizar os efeitos da ansiedade e como a música pode funcionar como antídoto para vícios da era moderna. Se isso se apresentar (nos resultados), será muito importante do ponto de vista de política pública. A tendência das pessoas é achar que arte é um adendo na educação, e acreditamos que a arte é uma parte fundamental na educação”, diz a pesquisadora.

Diretor artístico-pedagógico do Projeto Guri, Paulo Zuben destacou a possibilidade de o centro de pesquisa testar hipóteses relevantes sobre os efeitos da educação musical na vida das pessoas.

“O percurso que vamos ter nos próximos anos para medir resultados vai mostrar o quanto a música afeta, qual é esse impacto na criança que está começando a estudar música, para aquele que já é profissional, enfim, isso tudo para nós é muito importante porque o financiamento das políticas públicas hoje não se faz sem evidências”, diz Zuben.