Geral
Epidemia de Ebola na África não atingiu pico, diz Cruz Vermelha
Líderes do G7 se comprometeram com ações para evitar difusão da doença
A Cruz Vermelha afirmou nesta terça-feira (16) que a epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), provavelmente, ainda não atingiu seu pico.
Em meio à emergência de saúde pública, líderes do G7 se comprometeram a colaborar com ações que evitem o alastramento da doença.
"Acredito que o pico [de Ebola] não esteja próximo", afirmou em Genebra, Bruno Michon, chefe de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (Ficv) para o surto de Ebola.
"Tememos que essa situação possa se prolongar por mais um ano", acrescentou Michon, segundo o qual, como a capacidade de testes é insuficiente no país, há dificuldades em precisar a extensão da epidemia.
"Atualmente não existe vacina aprovada nem tratamento específico e, quando há incerteza, os rumores podem se espalhar muito rapidamente", explicou.
Um relatório recente revela que algumas pessoas questionam a existência da doença: alguns acreditam que ela foi "inventada para atrair financiamento estrangeiro", enquanto outros consideram os enterros seguros de vítimas de Ebola "um ataque à cultura e à tradição".
"Quando as pessoas estão com medo, podem não relatar os sintomas, evitando os centros de tratamento", frisou o relatório, destacando ainda que, "sem a confiança" da população, é impossível "detectar de modo precoce os casos de Ebola, proteger as famílias e impedir a transmissão".
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epidemia da doença na RDC continua a evoluir. Até 14 de junho, foram confirmados 808 casos, com 192 mortes.
Em meio aos trabalhos da cúpula de líderes do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, uma declaração conjunta divulgada hoje apelou por "uma resposta forte e coordenada para enfrentar os riscos à segurança sanitária decorrentes do ressurgimento do surto de Ebola na RDC e em Uganda".
Os países parceiros do G7 — Egito, Índia, Quênia e República da Coreia — também apoiaram a declaração, que reforçou que o "objetivo primeiro do grupo é prevenir a ampliação da doença tanto na área afetada quanto em vizinhos e no resto do mundo".
"Para mitigar o impacto da epidemia, devemos garantir que o vírus permaneça contido em uma área restrita, onde os recursos médicos e humanitários possam ser concentrados", diz o comunicado, no qual os líderes do G7 afirmam estar "determinados a fornecer e mobilizar recursos para apoiar uma resposta global coordenada, a fim de facilitar o desenvolvimento e a distribuição eficazes de vacinas, diagnósticos e tratamentos especializados para combater a doença nos próximos meses".
Segundo a nota do G7, "os Estados Unidos irão organizar uma reunião de ministros das Relações Exteriores do G20 para discutir a continuidade da ação coletiva e garantir um apoio financeiro mais amplo para uma resposta global eficaz e coordenada a essa emergência de saúde pública".
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