Geral
STF julga Eduardo Bolsonaro sob expectativa de condenação, diz mídia
Primeira Turma analisa ação penal nesta terça-feira; DPU tenta adiar sessão por composição incompleta do colegiado
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (16) o julgamento de Eduardo Bolsonaro, acusado de acionar contatos nos Estados Unidos para pressionar o Judiciário brasileiro. Sem advogado constituído, ele será representado pela Defensoria Pública da União (DPU), que tenta adiar a sessão por falta de quórum.
A ação penal contra Eduardo Bolsonaro, acusado de atuar nos EUA para intimidar o Judiciário brasileiro, chega ao julgamento no STF em meio à expectativa de condenação, segundo a imprensa. A DPU sustenta que não há justa causa para o processo e questiona a composição incompleta do colegiado — pedido que, nos bastidores, deve ser rejeitado.
De acordo com um jornal de grande circulação nacional, uma eventual condenação abriria mais um foco de tensão para o presidente do STF, Edson Fachin, que tem reclamado de pressões externas sobre a Corte. O caso ocorre poucos dias após a Justiça italiana questionar a imparcialidade do tribunal no processo de Carla Zambelli, episódio que levou Fachin a defender o ministro Alexandre de Moraes, relator também da ação contra Eduardo.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o ex-deputado pelo Partido Liberal (PL) de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Segundo a acusação, Eduardo teria buscado influenciar autoridades norte-americanas para pressionar o STF e evitar a condenação do pai na chamada trama golpista. Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão e cumpre pena.
Conforme a apuração, a avaliação nos bastidores é de que Moraes deve formar maioria com Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, com possibilidade até de unanimidade, diante da ausência de Luiz Fux. O STF entende que não há impedimento regimental para o julgamento com quórum reduzido e que eventual empate beneficiaria a defesa.
A DPU argumenta que a composição incompleta prejudica o réu, uma vez que ações penais originárias no Supremo têm possibilidades restritas de recurso. A Defensoria também afirma que Eduardo deveria ter sido intimado por carta rogatória, por residir nos Estados Unidos. Moraes rejeitou o argumento, afirmando que o ex-parlamentar tem domicílio no Brasil e tenta evitar a notificação.
A defesa alega ainda falta de imparcialidade de Moraes e afirma que a PGR confunde atuação política com coação. Para a DPU, Eduardo não teria poder para influenciar decisões de governo estrangeiro, e suas manifestações estariam protegidas pela imunidade parlamentar.
A sessão deve começar com a leitura do relatório, seguida das manifestações da PGR e da defesa, antes da votação dos ministros. Em caso de condenação, o colegiado discutirá a pena, e Eduardo poderá se tornar inelegível por até oito anos após o cumprimento da sentença. Ainda caberá recurso.
O caso de Paulo Figueiredo, denunciado junto com Eduardo, foi desmembrado e tramita separadamente. A ação penal contra ele ainda não foi aberta porque Figueiredo reside nos Estados Unidos e aguarda a conclusão dos trâmites internacionais de intimação.
Por Sputnik Brasil
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