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EUA podem perder investidores com avanço da dívida pública, diz analista

Especialista avalia que aumento do endividamento americano pode elevar custos de empréstimos, reduzir a confiança no dólar e pressionar a economia global

Sputnik Brasil 16/06/2026
EUA podem perder investidores com avanço da dívida pública, diz analista
Dívida pública dos EUA cresce e amplia preocupações sobre confiança no dólar - Foto: © AP Photo / Mark Lennihan

Investidores de diferentes partes do mundo podem passar a rejeitar o financiamento de títulos do governo dos Estados Unidos diante do crescimento da dívida pública americana. A avaliação é de Anastasia Bezrukova, especialista principal do Centro de Apoio Estratégico às Tecnologias Domésticas, em entrevista à Sputnik.

Segundo o Tesouro dos EUA, a dívida pública do país aumentou US$ 240 bilhões, o equivalente a R$ 1,210 trilhão, em maio, chegando a US$ 39,2 trilhões, cerca de R$ 197,6 trilhões.

“Os títulos do governo estão afastando o investimento privado, enquanto a inflação e os custos de empréstimos estão aumentando. Para a economia global, há riscos de queda da confiança no dólar e de possível recusa dos investidores em financiar os EUA sem juros exorbitantes”, afirmou a analista.

Bezrukova acrescentou que, nos próximos três a cinco anos, os mercados podem começar a exigir um prêmio de risco cada vez maior para adquirir títulos americanos.

“Isso desencadeará volatilidade e poderá derrubar a demanda global, provocando uma recessão se a Reserva Federal (Fed) não adotar uma flexibilização agressiva. Mas, nesse caso, a inflação pode subir de forma acentuada”, explicou.

O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) alertou recentemente que o déficit projetado para este ano fiscal é de US$ 1,85 trilhão, cerca de R$ 9,60 trilhões, o equivalente a 5,8% do PIB.

Na prática, isso significa que os Estados Unidos gastam US$ 1,33, aproximadamente R$ 6,90, para cada dólar arrecadado em impostos, mantendo um desequilíbrio financeiro historicamente observado apenas em períodos de guerra ou de grandes recessões.

Por Sputnik Brasil