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Guerra reduz volume exportado por extrativas, mas eleva preços, diz FGV/Icomex

Relatório aponta efeitos do conflito sobre exportações brasileiras e cita incertezas com possível nova taxação dos EUA

Estadao Conteudo 16/06/2026
Guerra reduz volume exportado por extrativas, mas eleva preços, diz FGV/Icomex
- Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã impactou as exportações brasileiras da indústria extrativa, com redução no volume embarcado, mas alta nos preços. A avaliação consta no relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta terça-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

“Os efeitos da guerra entre os Estados Unidos e o Irã aparecem nos índices da indústria extrativa, com queda no volume e aumento nos preços. O mesmo comportamento se repete para o agregado total das exportações e importações”, destacou a FGV no relatório.

A instituição também avaliou que o anúncio de trégua no Irã, com a abertura do Estreito de Ormuz, contribui para reduzir temores de continuidade na escalada de preços de mercadorias, seguros e fretes.

A FGV mencionou ainda as incertezas provocadas pelo anúncio de uma possível nova taxação sobre exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, que pode chegar a 37,5%.

“As incertezas sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos nunca foram totalmente eliminadas desde o início do governo Trump”, acrescentou o relatório. A Fundação lembrou que boa parte dos setores conseguiu compensar restrições impostas pelo primeiro tarifaço ao redirecionar vendas para outros mercados.

No entanto, a FGV ressaltou que os Estados Unidos são o principal importador mundial e, para o Brasil, estão entre os dois maiores compradores de manufaturas. Segundo a instituição, a Ásia pouco compensa eventuais perdas nas vendas brasileiras de produtos manufaturados.

Apesar das incertezas no cenário global, as projeções indicam superávit em torno de US$ 75 bilhões para a balança comercial brasileira em 2026, acima dos US$ 68,3 bilhões registrados em 2025.

Em maio de 2026, a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 7,8 bilhões. No acumulado do ano, o saldo positivo chegou a US$ 32,7 bilhões, acima dos US$ 8,4 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

“Entre os principais parceiros, registraram melhora no saldo comercial a China, com ganho de US$ 7,1 bilhões, e a União Europeia, com ganho de US$ 2,1 bilhões. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit, de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,5 bilhão, e, na Argentina, o superávit reduziu-se de US$ 2,4 bilhões para US$ 910 milhões”, enumerou a FGV.