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EUA e aliados divergem sobre prazo para reabrir estreito de Ormuz
Trump prevê retomada total até sexta-feira, mas governos europeus e empresas de navegação veem riscos e apontam operação complexa de desminagem
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o estreito de Ormuz estará totalmente aberto até sexta-feira (19). Aliados europeus, no entanto, não compartilham do mesmo otimismo, segundo a imprensa norte-americana. A avaliação é de que ainda há minas no corredor marítimo e que a operação de desativação será complexa e demorada.
A situação envolvendo o Irã tem ampliado o debate dentro do G7, grupo formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Integrantes do bloco duvidam que o tráfego possa ser retomado até o fim da semana, como prometido pelo presidente norte-americano.
As incertezas não se limitam aos esforços de desminagem e patrulhamento. Segundo a apuração, também há dificuldade entre os aliados para chegar a uma posição comum sobre a situação no Irã.
Nesse contexto, poucos esperam uma declaração conjunta, algo que se tornou raro durante a era Trump, destacou a publicação. A posição da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também ganhou atenção. Ela afirmou que as ações da Itália dependerão do fim das hostilidades no Líbano.
Dentro da própria administração Trump, porém, também há dúvidas sobre um rápido retorno à normalidade do tráfego marítimo. De acordo com a reportagem, um alto funcionário norte-americano indicou que a recuperação será gradual, em razão da presença de minas não detonadas e da resistência de algumas companhias de navegação em retomar a rota. A estimativa é que a volta aos níveis anteriores ao conflito possa levar semanas.
Ao mesmo tempo, empresas de navegação não devem retomar o trânsito pelo estreito de Ormuz por várias semanas, até que tenham certeza de que o acordo entre Estados Unidos e Irã é sólido, afirmou Jotaro Tamura, CEO da operadora japonesa de navios-tanque Mitsui OSK Lines.
“O que precisa ser estabelecido não é apenas um simples acordo entre os países envolvidos, mas algo concreto que se traduza em medidas reais no estreito de Ormuz, para que as empresas de navegação se sintam seguras ao transitar por ele”, declarou Tamura à mídia britânica.
Ele também observou que, desde o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro, houve diversas tentativas frustradas de retomar as operações na hidrovia.
“Considerando o que aconteceu nos últimos meses, acho razoável supor que isso possa levar pelo menos algumas semanas, ou até mesmo um mês”, acrescentou.
O aumento das tensões em torno do Irã bloqueou, na prática, o estreito de Ormuz, rota fundamental para o abastecimento do mercado global com petróleo e gás natural liquefeito (GNL) provenientes dos países do golfo Pérsico. A situação também afetou os níveis de exportação e produção de petróleo. Em consequência, os preços dos combustíveis e de commodities industriais estão em alta na maioria dos países.
Por Sputnik Brasil
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