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Frente parlamentar e delegados repudiam fala de Lula sobre delegacias e celulares roubados

Entidades criticaram declarações do presidente, que sugeriu devolução de aparelhos pelos Correios e associou compra de produtos roubados à baixa renda

Estadao Conteudo 16/06/2026
Frente parlamentar e delegados repudiam fala de Lula sobre delegacias e celulares roubados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução / Instagram

A Frente Parlamentar da Segurança Pública e a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) divulgaram notas de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante reunião do Conselhão, na quarta-feira, 10. O petista sugeriu que seria mais seguro devolver celulares roubados pelos Correios do que em delegacias e também associou a compra de produtos roubados à população de baixa renda.

“Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, afirmou Lula ao justificar a escolha dos Correios para receber aparelhos devolvidos por meio do programa Telefone Seguro. A proposta do governo é enviar mensagens aos celulares roubados com orientações para a devolução.

A Frente Parlamentar, presidida pelo deputado Alberto Fraga (PL-DF), classificou as declarações como ataques injustificados à honra e à credibilidade de milhares de policiais civis. Em nota, o grupo afirmou que “generalizações dessa natureza enfraquecem a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública”.

A Adepol, por sua vez, destacou que a apreensão e a custódia de celulares em delegacias seguem procedimentos legalmente estabelecidos, sujeitos à fiscalização do Judiciário e do Ministério Público. A entidade considerou “inadequada, injusta e descontextualizada” qualquer generalização que possa comprometer a confiança nas instituições policiais.

No mesmo dia, Lula afirmou que os compradores de celulares roubados são pessoas pobres. “Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta”, disse o presidente.

A Frente Parlamentar também criticou essa declaração e a classificou como uma associação genérica e preconceituosa entre a população de baixa renda e o crime de receptação — quando alguém adquire, oculta, transporta ou vende um produto sabendo ser de origem ilícita.

“Trata-se de uma generalização incompatível com o respeito à dignidade humana e com os princípios constitucionais da igualdade e da não discriminação”, afirmou a nota.