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BRICS Pay mira pagamentos internacionais em moedas locais; analistas apontam desafios
Plataforma pretende facilitar transações instantâneas entre países do bloco, reduzir custos e ampliar o uso de moedas locais no comércio internacional.
O BRICS Pay avança como uma plataforma de pagamentos internacionais voltada a transações instantâneas em moedas locais entre os países do bloco. A iniciativa é vista como uma alternativa para reduzir a dependência do dólar e do SWIFT, principal rede global de mensagens para transferências financeiras internacionais.
No podcast internacional da Sputnik Brasil desta segunda-feira (15), o especialista Matheus Cecílio, doutor em economia política internacional, afirmou que o novo ecossistema digital aponta para um horizonte de desdolarização nas transações internacionais. Segundo ele, no médio prazo, a solução tende a ser mais técnica do que política.
“Todos os países podem se unir. Isso pode reduzir os custos de transação, firmas e consumidores podem transacionar de maneira mais fácil, potencialmente muito mais rápida e sem se expor a custos cambiais”, avaliou Cecílio.
O especialista destacou, no entanto, que a consolidação do sistema dependerá de sua implementação e do estímulo dos países participantes. De acordo com estimativas do Conselho Empresarial do BRICS, o BRICS Pay, se bem estruturado, poderia representar entre 15% e 20% do comércio internacional até 2030. Atualmente, os países-membros do bloco respondem por cerca de 40% do produto global.
Para Luiz Antonio Joia, professor da Escola Brasileira de Administração Pública, a iniciativa ainda terá de superar obstáculos relevantes. “Há diferentes infraestruturas tecnológicas, diferentes modelos regulatórios, diferentes contextos socioeconômicos, e isso tudo teria que ser interligado. É uma iniciativa interessante, mas tem muita, muita água para rolar ainda”, afirmou.
A avaliação dos entrevistados é que o sistema do BRICS deve conviver com o SWIFT, ao menos em um primeiro momento, tornando-se uma opção atrativa para transações em moedas locais, inclusive entre pequenas e médias empresas.
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