Geral
Zema diz que direita estará unida no segundo turno
Pré-candidato pelo Novo defende enquadrar facções como grupos terroristas, zerar encargos sobre energia para tecnologia e reduzir burocracias no país
Em entrevista à Sputnik Brasil, o pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, defendeu uma agenda baseada em privatizações, segurança jurídica, desburocratização e atração de investimentos privados.
O ex-governador de Minas Gerais cumpriu agenda no Rio de Janeiro e apresentou um diagnóstico duro sobre os principais entraves ao crescimento do país. Para Zema, o excesso de gastos do governo federal e o avanço da criminalidade estão entre os maiores desafios da atualidade.
O pré-candidato dividiu o cenário nacional em três frentes que, segundo ele, exigem ação imediata.
Não é um problema, são três grandes problemas: gastança que provoca juros altos, criminalidade lá em cima, precisamos colocar bandido atrás das grades e acabar com essa farra dos intocáveis em Brasília, pessoas que se consideram acima da lei.
União da direita e eleições presidenciais
Questionado sobre possíveis atritos de bastidores com setores do bolsonarismo, após declarações recentes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Zema minimizou a possibilidade de um racha capaz de fragilizar a oposição.
Para o pré-candidato, o alinhamento pragmático contra o atual governo deve prevalecer em um eventual segundo turno.
A direita estará toda unida no segundo turno. Se eu discordo do Flávio em alguma coisa, eu discordo do Lula muito mais, afirmou.
Choque de Gestão e o 'Revogaço' de Leis
Defensor de um Estado mais enxuto, Zema citou resultados obtidos em Minas Gerais como referência para o modelo que pretende levar ao plano federal. Segundo ele, o arcabouço legal brasileiro desestimula a inovação e o empreendedorismo ao ampliar obstáculos em vez de simplificar processos.
Em Minas, nós fizemos um revogaço, eliminamos mais de 22 mil leis e regulamentos que só serviam para complicar a vida de quem empreende, de quem produz, de quem paga impostos, de quem gera emprego. E o Brasil só tem caminhado no sentido de complicar cada vez mais. Eu quero essa simplificação, essa desburocratização, afirmou Zema.
Para o ex-governador, a eficiência dos serviços públicos está diretamente relacionada à transferência de ativos não essenciais para o mercado. Ele argumentou que prefeitos, governadores e presidente já lidam com atribuições complexas demais para acumular a gestão de empresas estatais.
Quem governa já tem uma tarefa de Hércules na área da saúde, da educação, da segurança pública e da infraestrutura. Então, nós temos de vender estatais, temos de fazer concessões daquilo que é viável para a iniciativa privada, para o setor público focar naquilo que é importante. [...] Em Minas, nós fizemos mais concessões nos meus sete anos de governo do que nos 70 anos anteriores do estado.
Transição Energética e Proposta de Encargo Zero
Zema afirmou que o Brasil tem condições privilegiadas para liderar a transição energética global, em razão do baixo custo de geração solar, eólica, de biomassa e de biocombustíveis. No entanto, apontou uma contradição no preço final pago pelo consumidor, devido ao peso de tributos e encargos.
Como incentivo para atrair investimentos ligados à infraestrutura digital, o pré-candidato apresentou uma proposta fiscal voltada ao setor de tecnologia.
A energia que é gerada tem um custo baixo, mas o consumidor paga caro porque tem contribuição disso, imposto daquilo. A minha proposta é não ter nada de encargo sobre a energia para empreendimentos tecnológicos, afirmou Zema, ao defender a atração de megadatacenters internacionais.
O pré-candidato também defendeu mudanças na matriz de exportação mineral brasileira, com maior verticalização da produção para evitar a saída de commodities sem agregação de valor. Ele citou como exemplos o processamento do nióbio em Araxá, no Triângulo Mineiro, e o avanço da produção de baterias de lítio em Minas Gerais.
Enquadramento Criminal e Segurança Pública
Ao comentar a expansão de milícias e do tráfico, Zema propôs uma reclassificação jurídica para o enfrentamento das organizações criminosas. A ideia, segundo ele, é aproximar a punição aos parâmetros adotados internacionalmente contra o terrorismo, citando o exemplo de El Salvador.
Eu faria aqui no Brasil o que vários outros países já fizeram: equiparar facções e organizações criminosas a grupos terroristas, porque utilizam escudo humano, como as ações do novo cangaço, e controlam território. Hoje essas organizações criminosas fazem com que milhões de brasileiros tenham uma vida deplorável [...]. Nós temos de colocar um fim nesse crime organizado e nada melhor do que aumentar o custo do crime.
Mudança de Rumo na Política Externa
Na parte final da entrevista, o político do Novo criticou o atual alinhamento do Brasil com o grupo BRICS, que classificou como um "Frankenstein" sem afinidades históricas ou geográficas.
Na política externa, a estratégia vai ser aproximar o Brasil dos países do Ocidente, dos quais o Brasil só tem se distanciado. O Brasil se aproximou muito do BRICS, que é uma colcha de retalhos, é um Frankenstein. [...] O problema está muito visível: é de quem o Brasil foi se aproximar, de quem o Lula gosta. É do Fidel Castro, era do Hugo Chávez, depois do Nicolás Maduro, é do regime do Irã. O Brasil precisa estar caminhando com países que são exemplos de democracia, defendeu o pré-candidato.
A estratégia diplomática defendida por Zema prevê concentrar esforços na inserção definitiva do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de valorizar os laços do país com nações ocidentais.
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