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Ibovespa fecha em queda sob pressão da Petrobras, fluxo estrangeiro e receio fiscal

Índice chegou a subir mais de 1,8% pela manhã, mas perdeu fôlego com a queda do petróleo, recuo da Petrobras e migração de investidores para ações de tecnologia nos EUA.

Estadao Conteudo 15/06/2026
Ibovespa fecha em queda sob pressão da Petrobras, fluxo estrangeiro e receio fiscal
- Foto: Reprodução

O Ibovespa chegou a subir mais de 1,8% na manhã desta segunda-feira, impulsionado pela euforia global por risco após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. No entanto, na segunda etapa do pregão, o maior apetite do investidor estrangeiro por ações de tecnologia — refletido na alta superior a 3% do Nasdaq — retirou fluxo da Bolsa brasileira, que já tinha desempenho limitado pela forte queda dos papéis ligados ao petróleo e pelo desconforto com a agenda fiscal em meio ao cenário eleitoral.

Depois de atingir máxima de 174.228,27 pontos, com alta de 1,81%, pela manhã, e mínima de 170.351,05 pontos, em baixa de 0,46%, à tarde, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,42%, aos 170.415,13 pontos. Entre as blue chips, Petrobras recuou 5,30% nas ações ordinárias (ON) e 5,15% nas preferenciais (PN), nas mínimas do dia. Os grandes bancos tiveram perdas inferiores a 1%, enquanto Vale avançou 2,5%. O giro financeiro somou R$ 29,21 bilhões.

Os Estados Unidos já assinaram eletronicamente o acordo preliminar firmado com o Irã para suspender as hostilidades no Oriente Médio por 60 dias, informou um alto funcionário americano à agência Reuters. A expectativa é de que o Estreito de Ormuz seja reaberto nesta sexta-feira, 19, o que reforçou a queda de 4,76% do petróleo Brent, cotado a US$ 83,17 por barril.

Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, a assinatura do acordo é positiva para a economia brasileira no que diz respeito à inflação e, por consequência, à política monetária. Ele ressalta, porém, que a euforia observada no Ibovespa pela manhã se perdeu ao longo do dia, à medida que investidores estrangeiros voltaram a priorizar ações de tecnologia e de Inteligência Artificial (IA) em vez de mercados emergentes. "Vemos Petrobras caindo forte com o petróleo, mas outros setores também passaram a ceder", comentou.

A saída de capital estrangeiro é intensa principalmente por causa do maior apetite por ativos dos Estados Unidos e do setor de tecnologia, avalia o head de renda variável da Faz Capital, Alexandre Pletes. "SpaceX puxou muito fluxo no IPO na última semana, e isso traz reflexo para as bolsas globais. Hoje, apesar da queda dos juros, a Petrobras corrige forte e os bancos não andaram", afirmou.

Na mesma linha, o especialista Pedro Henrique Carneiro Gonçalves, da Valor Investimentos, observa que o Brasil, por ser exportador relevante de petróleo, acaba sendo penalizado nos termos de troca com a queda da commodity. Como resultado, segundo ele, o movimento "impacta diretamente as empresas de grande peso no índice". Apesar do otimismo inicial, Gonçalves acrescenta que o mercado segue atento aos detalhes do acordo, que só será formalmente assinado na sexta-feira.

Perri, da Forum Investimentos, também destaca a pesquisa BTG Pactual/Nexus como ponto de atenção para o mercado financeiro. Segundo ele, o levantamento indica que a "política fiscal seguirá temerária, altamente inflacionária e deve prejudicar a curva de juros à frente". Nesta segunda-feira, contudo, a curva de juros cedeu.

A pesquisa mostrou que a aprovação do governo Lula superou a desaprovação pela primeira vez em quatro meses. O levantamento também apontou que o petista venceria Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) em eventual segundo turno.

O economista sênior global da Oxford Economics, Felipe Camargo, afirmou em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o quadro fiscal do Brasil não permite que o investidor estrangeiro faça um investimento estrutural de longo prazo no País.

O cenário-base da consultoria é de reeleição de Lula, perspectiva que o economista não considera muito positiva. Segundo Camargo, a manutenção do arcabouço atual prevê estabilização da dívida pública, na melhor das hipóteses, apenas depois de 2030.