Geral
Dólar sobe 0,10% e fecha a R$ 5,0668 com queda do petróleo após acordo EUA-Irã
Moeda norte-americana chegou a cair pela manhã, mas ganhou força à tarde em meio a ajustes no mercado e recuo das cotações do petróleo.
Após ensaiar uma queda expressiva pela manhã, o dólar ganhou força ao longo da tarde e encerrou a sessão desta segunda-feira, 15, em leve alta, na contramão do movimento predominante de baixa da moeda norte-americana no exterior.
O dia foi marcado pela descompressão dos prêmios de risco geopolítico e pela forte queda das cotações do petróleo, na esteira do anúncio, no fim de semana, de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, com previsão de reabertura total do Estreito de Ormuz.
Apesar do ambiente favorável aos ativos de risco, o real perdeu fôlego na segunda etapa dos negócios, pressionado por ajustes intradia e por eventual fluxo de saída da bolsa doméstica.
Investidores reduziram posições favoráveis à moeda brasileira, montadas com base na tese de melhora dos termos de troca, já que o Brasil é exportador líquido de petróleo. Não por acaso, outra moeda favorecida pela alta recente da commodity, o peso colombiano, também registrou perdas nesta segunda-feira, próximas de 1%.
Com máxima de R$ 5,0743, em sintonia com a diminuição das perdas da moeda norte-americana no exterior, o dólar à vista fechou cotado a R$ 5,0668, em alta de 0,10%. Na semana passada, a divisa havia recuado 1,86%.
No mês, o dólar acumula alta de 0,47%, após avanço de 1,82% em maio. No ano, a moeda norte-americana ainda registra queda de 7,69% frente ao real, que exibe um dos melhores desempenhos entre as moedas mais líquidas.
O chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, mantém uma posição "neutra" em relação ao real. Em nota, ele observa que a moeda brasileira sofreu recentemente em meio ao estresse no mercado de juros local. "Além disso, Lula tomando a dianteira nas pesquisas eleitorais parece ter pesado sobre o real", afirma.
Turner pondera, contudo, que é muito "caro" apostar contra a moeda brasileira, em razão dos juros locais ainda elevados. Além disso, o status do Brasil como exportador de energia e a perspectiva de aumento do ingresso de divisas pelo setor agrícola, com o El Niño, devem dar sustentação ao real.
As cotações do petróleo encerraram o pregão regular em forte queda, diante da perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz a partir da próxima sexta-feira, 19, quando deve ser formalizado o acordo de cessar-fogo por 60 dias entre Estados Unidos e Irã, alcançado no fim de semana.
Apesar de analistas apontarem fragilidades no acordo, a cotação do Brent para agosto, referência de preços para a Petrobras, fechou em queda de 4,76%, a US$ 83,17 o barril. No ano, a commodity ainda acumula alta superior a 30%.
A economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, observa que o real exibe, ao lado do peso colombiano, o melhor desempenho entre as moedas emergentes em 2026. Segundo ela, esse movimento pode ser explicado pelo fato de Brasil e Colômbia serem exportadores líquidos de energia.
Ela ressalta, porém, que a volatilidade da moeda brasileira permanece elevada na comparação com seus pares, o que torna a taxa de câmbio mais sujeita a oscilações relevantes no curto prazo.
"A volatilidade corrente, porém, continua relativamente baixa quando comparada à própria história do real, o que ajuda a sustentar estratégias de carry, embora mantenha o risco de movimentos mais amplos em episódios de aversão ao risco", afirma Ferrão, em relatório.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY rondava os 99,700 pontos por volta das 17h, perto da máxima da sessão, após atingir mínima de 99,384 pontos pela manhã.
As taxas dos Treasuries de dois e dez anos recuaram, embora de forma modesta. É dado como certo que o Federal Reserve manterá, na quarta-feira, 17, a taxa básica de juros norte-americana na faixa entre 3,50% e 3,75%.
As atenções estão voltadas para o tom da decisão na primeira reunião de política monetária sob o comando de Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, é natural que a perspectiva de reabertura de Ormuz "traga uma onda de otimismo", ao reduzir os argumentos para uma alta de juros pelo Fed e enfraquecer o DXY, o que beneficia ativos de risco.
"Com essa redução do risco global, deveremos ter oportunidade para montar uma estratégia de compra de dólares para atravessar o período de volatilidade eleitoral", afirma Faria Junior.
Mais lidas
-
1ACIDENTE AÉREO
Vídeo mostra momento em que helicóptero atinge o solo no Recreio dos Bandeirantes
-
2RIO DE JANEIRO
Apagão deixa bairros da Grande Tijuca sem luz e afeta trânsito na Zona Norte do Rio
-
3DOCUMENTAÇÃO
Detran Alagoas é o primeiro do Brasil a ofertar carros automáticos gratuitos para exames práticos
-
4FÓRMULA 1
Kim Kardashian leva o estilo WAG à Fórmula 1: o que significa sigla associada à namorada de Lewis Hamilton
-
5ACIDENTE AÉREO
Pilotos mortos em colisão de helicópteros no Recreio tinham longas carreiras na aviação