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União havia pedido bloqueio de ponte antes da morte de jovem em salto

SPU afirma que solicitou restrição de acesso à Ponte do Esqueleto após acidente fatal em 2024; prefeitura de Limeira cobra responsabilidade do governo federal

Agência Brasil 15/06/2026
União havia pedido bloqueio de ponte antes da morte de jovem em salto
Ponte do Esqueleto, em Limeira, foi palco de morte durante salto de rope jump

Agência Brasil

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), informou que já havia solicitado à Prefeitura de Limeira (SP) o bloqueio do acesso de pessoas à Ponte do Esqueleto. No último fim de semana, a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu no local após ser lançada, sem cordas, de uma altura de cerca de 40 metros — o equivalente a um prédio de 12 andares — durante uma atividade de salto à corda .

Localizada na divisão entre Limeira e Cordeirópolis, no interior paulista, a Ponte do Esqueleto é uma estrutura viária da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que nunca foi concluída. Desativada há anos, passou a ser usada como ponto turístico informal e local para a prática de esportes radicais.

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Segundo a SPU, em 2024, após outro acidente fatal no local envolvendo um ciclista, foi solicitado às prefeituras da região que bloqueiem o acesso à Ponte do Esqueleto . "Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira", informou o Órgão, em nota.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, moradora de Jandira (SP), morreu no sábado (13) após serada arremesso da Ponte do Esqueleto sem estar presa a uma corda de segurança. O salto fazia parte de uma atividade de esporte radical conhecido como salto com corda , ou salto de corda, modalidade em que o praticante salta de locais elevados, como pontes, viadutos ou penhascos, presos a cordas.

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O esporte foi criado por Dan Osman, que morreu em 1998 depois que a corda de segurança falhou enquanto ele praticava salto à corda no Parque Nacional de Yosemite, nos Estados Unidos.

No dia do acidente com Maria Eduarda, a Prefeitura de Limeira informou que iria processar o governo federal por omissão . Em nota, a administração municipal afirmou que, desde 2025, vinha cobrando exceções dos órgãos federais responsáveis ​​pela Ponte do Esqueleto.

"A tragédia deste sábado (13), que resultou na morte de um jovem de 21 anos, torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa missão. A responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do Governo Federal. A administração municipal e a Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, já encaminharam oficiais aos órgãos responsáveis ​​cobrando medidas de segurança. Nenhuma exceção concreta foi aplicada", diz a nota da prefeitura.

Para a Secretaria de Patrimônio da União, os poderes públicos precisam decidir, de forma conjunta, o futuro da Ponte do Esqueleto. “Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à Ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais”, afirmou o governo federal.

Uma morte

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, a morte de Maria Eduarda ocorreu durante uma atividade de salto à corda promovida por uma empresa privada, que não amarrou a corda na jovem antes do salto .

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito no local. O corpo foi liderado pelo Instituto Médico Legal (IML).

Após a morte, a Polícia Militar prendeu três homens em flagrante por homicídio com dolo eventual.

Quem quer fiscalizar

Em entrevista à TV Brasil , o advogado Arthur Rollo, ex-secretário nacional de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, afirmou que o acesso à Ponte do Esqueleto é responsabilidade da União, mas que caberia ao município controlar e autorizar atividades de lazer no local. Para ele, a responsabilidade deve ser compartilhada entre os entes federativos e a empresa prestadora do serviço, que, segundo o advogado, não exigia qualificação ou preparo para realizar a atividade.

“A responsabilidade, nesse caso, é solidária, ou seja, simultaneamente da União e da Prefeitura de Limeira, porque a área é federal e, sendo federal, caberia à União fazer a sua gestão. E, de outro lado, caberia também à Prefeitura de Limeira fazer a fiscalização de empresas e profissionais que atuam na área e não têm alvará para atuar e não têm licença ou qualificação técnica para atuar. Então, a responsabilidade nesse caso é da União, que deveria ter zelado por aquela área e impedido o acesso, e também da Prefeitura de Limeira, que já sabe que aquela área é utilizada para atividades de aventura e deveria ter fiscalizado isso”, disse.

Segundo Arthur Rollo, o caso registrado em Limeira deve servir de alerta para outras regiões do país. “Isso é um alerta para todas as autoridades públicas e sobre serviços de aventura para que adotem exceções para evitar novas mortes porque, infelizmente, não são detectadas essas mortes em atividades de aventura.”