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Direita recalcula rota para 2026 após áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master

Pré-candidatos evitaram defesa enfática do senador e ajustaram discursos durante fórum em São Paulo

Sputnik Brasil 15/06/2026
Direita recalcula rota para 2026 após áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master
Flávio Bolsonaro durante evento político em meio à repercussão de áudios ligados ao Banco Master - Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

Os principais pré-candidatos da direita brasileira passaram a recalcular o tom em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também cotado para a disputa presidencial, após a divulgação de áudios que apontam uma relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo bilionário envolvendo o Banco Master.

O movimento ficou evidente nesta segunda-feira (15), durante o Veja Fórum Rumos do Brasil, realizado em São Paulo (SP), quando lideranças do campo conservador adotaram discursos de cautela, distanciamento ou redirecionamento político.

O ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Palácio do Planalto Ronaldo Caiado (PSD) avaliou que as recentes revelações afetaram a pré-campanha de Flávio. Para ele, a direita precisa apresentar um nome competitivo para chegar ao segundo turno em condições de vencer. "O que precisamos é de um candidato que chegue no segundo turno em condições de poder enfrentar e ganhar as eleições", afirmou.

Questionado diretamente por jornalistas sobre a ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Caiado evitou fazer uma defesa pública do senador.

De Minas Gerais, o ex-governador Romeu Zema (Novo) tentou nacionalizar seu discurso e retomou a agenda do antipetismo como estratégia para deslocar o foco das denúncias que cercam o aliado do Partido Liberal (PL). "O PT praticamente não existe mais em Minas Gerais. Eu enterrei o PT. O PT não disputou eleições em Minas para governador em 2022 e não vai disputar este ano", disse.

A postura de Zema no evento, porém, contrastou com declarações recentes feitas por ele em entrevista à Brasil Paralelo. Na ocasião, o político mineiro elevou o tom contra o senador do PL, classificando o episódio dos áudios como "um tapa na cara dos cidadãos de bem" e afirmando que "quem anda com bandido merece ser visto com cautela".

Na mesma entrevista, Zema também disse ser "imperdoável ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro". No fórum, entretanto, adotou um discurso mais voltado à formação de uma coalizão ampla contra a esquerda. "Ninguém aqui, quem é da direita, vai subir em palanque de PT", declarou, ao comparar o cenário brasileiro às eleições chilenas de 2025, quando candidatos da direita se uniram no segundo turno em apoio a José Antonio Kast contra a progressista Jeannette Jara.

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

No centro da crise, Flávio Bolsonaro usou sua participação no evento para tentar conter os danos políticos e classificou as conversas gravadas com Daniel Vorcaro como "iniciativas de ordem estritamente privada".

Pressionado sobre os áudios que revelaram pedidos de cifras milionárias para financiar o filme "Dark Horse", ficção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro, o senador minimizou o teor das mensagens. "Minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não há absolutamente nada de errado", afirmou.

A versão de que se tratava de um investimento privado ganhou reforço, em tom de ironia, do irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também citado em planilhas que sugerem influência na gestão e no destino dos recursos da produção no exterior.

Eduardo minimizou as suspeitas levantadas por investigações jornalísticas sobre o repasse de mais de US$ 10 milhões por meio de fundos internacionais. "O valor pode ser o valor que quiser. O dinheiro é seu? É do pagador de impostos? O dinheiro é meu", reagiu o ex-parlamentar.

Além da crise financeira e das frentes jurídicas abertas, Flávio tentou reposicionar sua agenda internacional junto ao eleitorado conservador. Ele afirmou ter feito gestões diretas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tentar aliviar barreiras comerciais. "Pedi a Washington que não houvesse tarifação das empresas brasileiras", disse.

Na sequência, defendeu a proposta de Donald Trump de classificar facções brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. "É natural que qualquer presidente que realmente queira derrotar se alie e faça pactos com outras nações", justificou.

Quem também ajustou o discurso diante do cenário de crise foi o senador Sergio Moro (PL-PR). Recém-filiado ao partido da família Bolsonaro para disputar o governo do Paraná, o ex-juiz da Lava Jato adotou postura de distanciamento protocolar ao comentar a situação do colega de bancada.

"O senador Flávio Bolsonaro já apresentou as explicações e assinou os pedidos de investigação. Vamos aguardar os desdobramentos", declarou Moro.

Por Sputnik Brasil