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OCX faz 25 anos: cinco avanços da organização como contraponto à hegemonia ocidental

Criada antes do Brics, a Organização para Cooperação de Xangai reúne potências eurasiáticas e defende uma ordem internacional multipolar

Sputnik Brasil 15/06/2026
OCX faz 25 anos: cinco avanços da organização como contraponto à hegemonia ocidental
OCX completa 25 anos com foco em segurança, integração eurasiática e defesa de ordem multipolar - Foto: © Sputnik / Sergei Bobylev / Acessar o banco de imagens

Pioneira na defesa de um mundo multipolar e menos dependente da influência dos Estados Unidos, a Organização para Cooperação de Xangai (OCX) integra o mesmo movimento de fortalecimento do Sul Global que, anos depois, daria origem aos Brics. Veja cinco avanços da entidade no enfrentamento à hegemonia ocidental.

A Organização para Cooperação de Xangai (OCX) completou 25 anos nesta segunda-feira (15). Fundada em 15 de junho de 2001 pela China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, uma entidade que tem como objetivo fortalecer a confiança mútua e ampliar a cooperação entre países vizinhos da Ásia Central.

Ao longo dos anos, a OCX se expandiu e hoje conta com dez Estados-membros. Além dos fundadores, passou a integrar a organização Índia, Paquistão, Irã e Bielorrússia. A estrutura também reúne dois Estados observadores — Afeganistão e Mongólia — e 15 parceiros de diálogo: Turquia, Azerbaijão, Sri Lanka, Armênia, Camboja, Nepal, Arábia Saudita, Egito, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Maldivas, Mianmar e Laos.

A OCX faz parte do mesmo movimento geopolítico que levou à criação do Brics, em 2009, embora tenha características distintas. Enquanto a OCX é mais voltada para a segurança, a cooperação militar e a estabilidade regional, o Brics tem foco econômico, comercial e financeiro.

As duas iniciativas, no entanto, são vistas como pioneiras na formação de redes de cooperação alternativas às instituições iniciadas pelo Ocidente, na defesa de uma ordem multipolar e no fortalecimento do Sul Global. Assim como no Brics, China e Rússia atuam centralmente na OCX e figuram entre os membros mais influentes da organização.

A Sputnik Brasil preparou uma lista com cinco avanços da OCX no enfrentamento às ameaças imperialistas e à concentração de poder nas mãos de potências ocidentais.

Cooperação em segurança

A OCX criou mecanismos de cooperação entre seus membros para combater o terrorismo, o extremismo e o separatismo, especialmente por meio da Estrutura Regional Antiterrorista (RATS, na sigla em inglês). A iniciativa tem como foco a troca de informações de inteligência, o treinamento conjunto e a estruturação de bases legais para bloquear o financiamento de grupos terroristas.

Essa rede de cooperação é apresentada como alternativa às instituições de segurança ocidentais, especialmente à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Ampliação da conectividade eurasiática

A OCX apoia projetos de infraestrutura, transporte e logística que conectam países da Ásia Central a grandes mercados. À medida que facilita o comércio, atrai investimentos e amplia a integração econômica de nações que, historicamente, oportunizou à margem das principais rotas nacionais.

Fortalecimento do Sul Global

A entrada de países como Índia, Paquistão e Irã — que também integram o Brics — ampliou o peso político das economias emergentes nos debates sobre segurança regional, energia e desenvolvimento.

O movimento está alinhado à defesa de uma ordem internacional menos pautada pela influência dos Estados Unidos e de seus aliados europeus, com maior participação dos países do Sul Global nos processos de decisão.

Cooperação energética

A OCX promove diálogos e acordos em áreas como petróleo, gás natural e eletricidade. Para diversos países do Sul Global, essa cooperação contribui para a segurança energética, a diversificação de fornecedores e o desenvolvimento econômico.

Defesa de uma ordem internacional multipolar

A OCX defende, de forma recorrente, maior participação dos países do Sul Global na governança internacional e reformas em instituições multilaterais, especialmente na Organização das Nações Unidas (ONU).

A iniciativa integra o esforço de organização para reduzir a concentração de poder em um número limitado de potências ocidentais e traçar o caminho para uma ordem global multipolar, baseada na não intervenção em assuntos internos dos Estados e no respeito à soberania nacional.

Por Sputnik Brasil