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Durigan diz que governo discutirá parâmetros do arcabouço fiscal

Secretário-executivo da Fazenda defende equilíbrio entre justiça social e responsabilidade fiscal e afirma que juros altos têm causas além das contas públicas

Estadao Conteudo 15/06/2026
Durigan diz que governo discutirá parâmetros do arcabouço fiscal
Dario Durigan - Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo discutirá os parâmetros do arcabouço fiscal com o objetivo de equilibrar justiça social e responsabilidade nas contas públicas. A declaração foi feita em entrevista à Warren Investimentos, gravada na última sexta-feira, 12, e divulgada nesta segunda-feira, 15.

“Não tem como fugir de um debate que seja equilibrar um mínimo de legitimidade de justiça social, de atendimento que o País precisa, com a demanda de cumprir a responsabilidade fiscal, ter as contas públicas em dia”, afirmou Durigan.

Segundo ele, o governo aprimorou o arcabouço para torná-lo mais rígido, com a inclusão de gatilhos fiscais. Durigan também disse que a oposição não terá como apresentar um novo “Posto Ipiranga”, porque o cenário econômico e fiscal já está dado.

“A raia que nós vamos discutir é como fazer esse equilíbrio, se é com 2,5%, 1,5%, se é com 3%, mas é isso, o debate está dado. A gente tem que equilibrar as coisas, de novo, melhorando a nossa trajetória fiscal”, completou.

Relação do cenário fiscal com as taxas de juros

Na mesma entrevista, Durigan afirmou que há uma cultura de rentismo no Brasil que exige taxas de juros mais altas. Ele ponderou, no entanto, que o cenário fiscal não deve ser apontado como o único responsável pelos juros elevados no País.

“Eu acho que tem uma cultura do rentismo brasileiro que exige uma taxa de juros mais alta do que em outros países, mas, sem dúvida nenhuma, o fiscal faz parte desse debate. Ele não deve ser a resposta fácil, que se dá como placebo para tudo, mas o meu papel à frente da Fazenda é que a gente melhore o fiscal na maior medida que a gente puder”, declarou.

De acordo com Durigan, a política fiscal influencia a inflação e os juros, mas não é a única causa do patamar elevado das taxas. Ele citou, entre outros fatores, a falta de poupança e a volatilidade do mercado de câmbio.

“Tem outros elementos que compõem essa colcha de retalhos. O fiscal é um deles, eu não estou fugindo da raia, mas outro dos elementos é a falta de poupança que nós temos no País, seja pública ou privada”, concluiu.