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Ibovespa sobe com acordo entre EUA e Irã, mas queda do petróleo limita avanço

Trégua anunciada por Donald Trump derruba cotações da commodity e pressiona ações do setor, enquanto minério de ferro e exterior positivo sustentam alta da Bolsa

Estadao Conteudo 15/06/2026
Ibovespa sobe com acordo entre EUA e Irã, mas queda do petróleo limita avanço
ibovespa ações - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

A queda de cerca de 5% nas cotações do petróleo limita o avanço do Ibovespa no início do pregão desta segunda-feira (15). A commodity despenca após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar, no domingo, um acordo de paz com o Irã, com assinatura prevista para sexta-feira. O pacto prevê um cessar-fogo de 60 dias, a interrupção permanente das operações militares — incluindo no Líbano — e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% do petróleo mundial.

Também contribui para a alta do principal índice da B3 o desempenho do minério de ferro, que fechou em valorização de 0,65% em Dalian, na China. Nos mercados acionários do Ocidente, as altas são firmes, com exceção da Bolsa de Londres, que recuava 0,33%. Já os rendimentos dos Treasuries caem, influenciando os juros futuros e o dólar em relação ao real.

Segundo Patrick Buss, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, o acordo explica a reação positiva da Bolsa. “Sobe, sim, devido ao acordo, mas alguns ativos avançam ainda mais que o Ibovespa. A guerra foi o que levou o índice para baixo. Então, avança”, afirma. Ele lembra que o conflito geopolítico elevou os preços do petróleo, impulsionou ações do setor e pressionou a inflação, reduzindo ainda mais a expectativa de queda da Selic.

Em cerca de meia hora de negociação, o Ibovespa oscilou quase 3.100 pontos entre a máxima de 174.228,27 pontos, alta de 1,81%, e a mínima de 171.135,53 pontos, praticamente estável e próxima ao nível de abertura, de 171.139,11 pontos. Das 79 ações que compõem a carteira teórica, apenas algumas recuavam, sobretudo as ligadas ao petróleo.

O acordo pode aliviar parte das pressões sobre a política monetária nos próximos meses, embora não deva alterar as decisões desta semana em países como Brasil, Estados Unidos, Inglaterra e Japão.

“O alívio externo chega em um momento delicado para a política monetária”, escreveu em relatório Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora. Ele citou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que desacelerou, mas ficou ligeiramente acima das expectativas. Segundo o analista, o resultado reforçou a percepção de que os núcleos de inflação seguem pressionados, enquanto a atividade econômica permanece resiliente.

Para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o acordo de paz entre EUA e Irã é o catalisador que o mercado vinha precificando havia semanas, com reação imediata de queda do petróleo. Ele ressalta, porém, que o acordo é real, mas sua execução será gradual. “Em mercado, o risco de comprar o boato e vender o fato está sempre posto. Para o investidor, a leitura é simples: momentos como este reforçam o valor de uma carteira diversificada e de horizonte definido, em vez de reagir a cada manchete”, avalia.

Também permanece no radar dos investidores a pesquisa BTG/Nexus divulgada mais cedo. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 9 pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto no primeiro turno para a Presidência da República.

Na avaliação de Buss, da Manchester, se a guerra se resolver, o Ibovespa teria espaço para recuperar a marca de até 195 mil pontos, ou até se aproximar dos 200 mil pontos. Caso isso ocorra, afirma, ficarão mais claros os efeitos do conflito na trajetória do índice. “Agora, se voltar para a faixa dos 180 mil pontos, por exemplo, o fator eleição pode ser o motivo”, diz.

No domingo, Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo de cessar-fogo. A trégua abre caminho para novas negociações que podem, em última instância, encerrar definitivamente a guerra, que já dura três meses e meio, matou milhares de pessoas e abalou a economia global.

Ainda sem incorporar os efeitos do acordo entre os dois países, o boletim Focus trouxe nesta segunda-feira novas revisões para cima nas estimativas de inflação no Brasil e da taxa Selic.

A projeção mediana para o IPCA de 2026, por exemplo, subiu de 5,11% para 5,30%, enquanto a expectativa para a Selic passou de 13,50% para 13,75% ao ano.

Para Carlos Lopes, economista do BV, o fim dos conflitos entre EUA e Irã deve dar alguma confiança para que o Banco Central reduza a Selic nesta semana, como era a intenção original. “Mas, mesmo com o fim da guerra, acho que será necessário, após o corte desta semana, uma pausa para avaliar os efeitos defasados do choque sobre uma economia que ainda está aquecida e superestimulada por gasto público”, afirma.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,21%, aos 171.132,66 pontos, acumulando alta de 1,25% na semana, após oito semanas consecutivas de queda.

Às 11h21 desta segunda-feira, o Ibovespa subia 1,17%, aos 173.136,96 pontos. Petrobras recuava entre 3,86% nas ações preferenciais (PN) e 4,09% nas ordinárias (ON). Prio liderava as perdas, com baixa de 4,68%. Vale avançava 3,51%, enquanto Embraer registrava a maior alta do índice, de 6,31%.