Geral
G7 questiona plano dos EUA para conter China no mercado de minerais críticos
Proposta de Washington prevê apoio a preços, subsídios e compras garantidas, mas enfrenta resistência de aliados e divide a indústria de mineração.
O plano dos Estados Unidos para criar um bloco comercial voltado para o suporte de preços de minerais enfrenta resistência crítica entre países do G7 e divide a indústria de mineração. A busca pela iniciativa reduz a dependência ocidental da China e avança em acordos bilaterais que podem redesenhar o mercado global nos próximos anos.
A proposta do governo Trump, voltada à formação de um bloco comercial para apoiar preços de minerais estratégicos, gerou questionamentos dentro do G7 — grupo formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Segundo a mídia britânica, diplomatas e especialistas em políticas corporativas apontam dúvidas sobre custos, governança e o risco de distorções no mercado.
O plano, apresentado pelo vice-presidente norte-americano JD Vance, busca diminuir a dependência do Ocidente em relação à China, que domina a produção global de minerais críticos e opera com preços considerados artificialmente baixos por Washington. Na avaliação dos EUA, a estratégia chinesa de controle da cadeia global do setor tem inviabilizado concorrentes, levou empresas ocidentais à falência e desestimulou novos projetos.
A proposta norte-americana prevê mecanismos de apoio a preços, subsídios e compras garantidas para estimular a produção. No entanto, muitos minerais essenciais seguem sendo negociados em mercados opacos, fortemente influenciados pelos preços chineses.
Desde fevereiro, representantes do G7 demonstraram ceticismo, especialmente em relação ao uso de um modelo de precificação baseado em inteligência artificial desenvolvida pelo Pentágono. As principais dúvidas envolvem quem arcaria com os custos, como os subsídios serão distribuídos e qual seria a estrutura de governança do novo sistema.
De acordo com a purificação, a própria indústria de mineração dos EUA também está dividida. O gabinete do representante comercial Jamieson Greer teria recebido mais de 230 contribuições de representantes do setor. As empresas concordam que o foco deve se concentrar em minerais de nicho, mas divergem quanto à adoção de mecanismos de controle de preços.
O debate expõe a complexidade reformular do mercado global de minerais críticos.
“Diferentes partes das cadeias de suprimentos e produtos em diversos setores são moldadas por mecanismos de precificação muito diferentes, o que aumenta a complexidade”, afirmou Nicola Beer, responsável pelo financiamento de minerais do Banco Europeu de Investimento, controlado pela União Europeia, à mídia.
O tema deve ser um dos pontos centrais da reunião do G7 na França. Os países estão tentando, ao mesmo tempo, construir cadeias de suprimentos menos dependentes da China, em meio a uma série de crises geopolíticas que dificultam qualquer solução consensual.
Apesar das resistências, Washington pretende apresentar uma proposta baseada no programa OPEN, da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, na sigla em inglês), vinculada ao Departamento de Defesa dos EUA. O sistema calcula preços considerados ideais, excluindo o que Washington classifica como suposta manipulação chinesa, segundo a apuração.
Os representantes da União Europeia, no entanto, defendem alternativas mais homologadas à indústria, com maior transparência e orientação de mercado. Entre eles estão índices independentes desenvolvidos por iniciativas como o EIT RawMaterials e a plataforma Metalshub, que poderiam reduzir a influência chinesa sem poder concentrado nos Estados Unidos.
Enquanto isso, Washington pressionou por acordos bilaterais rápidos com o Japão e a União Europeia, abrangendo de cinco a dez estratégias minerais. Empresas e associações, como a Associação Nacional de Mineração, alertam que os incentivos fiscais podem ser mais eficazes do que os controles de preços, evidenciando a falta de consenso sobre o caminho a seguir.
Por Sputnik Brasil
Mais lidas
-
1ACIDENTE AÉREO
Vídeo mostra momento em que helicóptero atinge o solo no Recreio dos Bandeirantes
-
2RIO DE JANEIRO
Apagão deixa bairros da Grande Tijuca sem luz e afeta trânsito na Zona Norte do Rio
-
3DOCUMENTAÇÃO
Detran Alagoas é o primeiro do Brasil a ofertar carros automáticos gratuitos para exames práticos
-
4FÓRMULA 1
Kim Kardashian leva o estilo WAG à Fórmula 1: o que significa sigla associada à namorada de Lewis Hamilton
-
5ACIDENTE AÉREO
Pilotos mortos em colisão de helicópteros no Recreio tinham longas carreiras na aviação