Geral

Planetas gigantes podem se formar em discos de buracos negros supermassivos, aponta estudo

Simulação sugere que núcleos galácticos ativos podem abrigar milhões de mundos semelhantes a Júpiter em regiões antes consideradas hostis à formação planetária.

Sputnik Brasil 15/06/2026
Planetas gigantes podem se formar em discos de buracos negros supermassivos, aponta estudo
Ilustração de núcleo galáctico ativo com disco de acreção ao redor de buraco negro supermassivo - Foto: © Foto / Robert Lea (created with Canva)

Planetas gigantes podem se formar nas bordas turbulentas dos discos que cercam buracos negros supermassivos, segundo uma nova simulação. O estudo indica que núcleos galácticos ativos podem abrigar milhões de mundos semelhantes a Júpiter, nascidos em áreas antes consideradas hostis à formação planetária.

Regiões extremamente prolongadas e turbulentas localizadas no centro de galáxias, os núcleos galácticos ativos — conhecidos pela sigla em inglês AGNs — podem reunir condições para o nascimento de milhões de planetas, de acordo com a nova simulação. Alimentados por buracos negros supermassivos, esses ambientes chegam a brilhar mais do que todas as estrelas de suas galáxias somadas, devido ao intenso atrito no gás e na poeira que orbitam o buraco negro.

Os AGNs surgem quando enormes quantidades de matéria formam discos de acréscimo ao redor de buracos negros com massas milhões ou bilhões de vezes superiores ao Sol. Parte desse material cai no buraco negro, enquanto outra parcela pode ser expelida em jatos de plasma em velocidades próximas à da luz. A energia liberada faz com que esses discos emitam radiação intensa em todo o espectro eletromagnético.

Embora pareçam ambientes hostis demais para a formação de planetas, as bordas desses discos podem apresentar condições semelhantes às descobertas em discos protoplanetários ao redor de estrelas jovens. Essa possibilidade levou os pesquisadores a testar, por meio de simulações, se a poeira poderia se aglomerar e crescer até formar mundos inteiros ao longo de milhões de anos.

O modelo mostrou que milhões de planetas com massa escassa ou superior à de Júpiter podem surgir a coleções de parsecs do buraco negro central. Esses objetos seriam “gigantes de poeira”, descritos como semelhantes às bolas de lava, formados por um processo chamado instabilidade de fluxo, capaz de criar filamentos densos onde planetas podem nascer em grande quantidade.

Apesar das consequências, esses planetas tenderiam a migrar para longe do núcleo ativo com o passar do tempo. A descoberta surpreendeu os próprios autores da pesquisa, que afirmam que esse tipo de formação planetária em discos de AGN ainda não havia sido observado por meio desse modelo.

Ainda é cedo para confirmar a teoria, mas a equipe sugere que técnicas como a lente gravitacional podem ajudar a detectar esses planetas nas periferias dos discos. Encontrar um AGN com condições ideais, no entanto, será um desafio e exigirá o aprofundamento dos estudos sobre esses modelos e sobre as regiões externas dos discos de acreção.

Por Sputnik Brasil