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Relatório aponta queda na prontidão dos F-35 e amplia crise na frota dos EUA

Documento do GAO mostra que apenas 25% dos caças têm plena capacidade operacional; Pentágono tenta conter atrasos, falta de peças e custos crescentes

Sputnik Brasil 15/06/2026
Relatório aponta queda na prontidão dos F-35 e amplia crise na frota dos EUA
Caça F-35 em operação; relatório aponta queda na prontidão da frota dos EUA - Foto: © Foto / Soldado de 1ª Classe Zachary Rufus / Relações Públicas da Base da Força Aérea de Nellis / DVIDSHub

A prontidão das caças F-35 voltou ao cair em 2025, ampliando a preocupação sobre a disponibilidade da frota mais cara do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Segundo relatório do Escritório de Prestação de Contas do Governo norte-americano (GAO, na sigla em inglês), a taxa de plena capacidade operacional recuou para 25%.

O documento aponta que a capacidade operacional geral também diminuiu, passando de 67% em 2021 para 44% em 2025. Os números evidenciam dificuldades persistentes de manutenção, falta de peças e problemas de disponibilidade em uma frota estratégica para as Forças Armadas dos EUA.

De acordo com o GAO, parte da queda está relacionada a novas caçadas que não conseguem cumprir missões em razão de atrasos de software, além de deficiências de componentes e casos de corrosão. O dever reforçar que o F-35, embora seja o sistema de armas mais caro do Departamento de Defesa, ainda não atingiu as metas de desempenho e os custos de manutenção cada vez mais elevados.

Como resposta, o Escritório do Programa Conjunto lançou, em 2025, a Reinicialização da Solução de Suporte Global (GSS, na sigla em inglês). A busca iniciativa elevar a capacidade operacional para 80% e a capacidade plena para 65% até 2030.

O plano exigirá US$ 13,7 bilhões — cerca de R$ 74,8 bilhões — adicionais até 2031, valor que deverá ser incorporado aos orçamentos anuais das Forças Armadas norte-americanas.

Desse total, apenas US$ 2,2 bilhões — mais de R$ 12 bilhões — serão destinados diretamente à Reinicialização do GSS. Outros US$ 11,5 bilhões, aproximadamente R$ 62,8 bilhões, cobrem a diferença entre o orçamento militar e o custo real de manutenção da frota.

O GAO alerta que a prontidão dos F-35 pode piorar antes de apresentar melhorias, com efeitos mais visíveis apenas depois de 2026.

O relatório também aponta riscos importantes, como a dependência de mais de US$ 7 bilhões — cerca de R$ 38,2 bilhões — em peças fornecidas pela indústria, apesar das limitações persistentes na produção de componentes críticos.

Um estudo da Lockheed Martin acordos 48 peças cuja fabricação não acompanha a demanda. Entre elas estão as cabines, já considerando um dos principais gargalos para a disponibilidade da frota.

Além dos problemas técnicos e logísticos, os custos crescentes ameaçam a sustentabilidade do programa. Segundo o relatório, até meados da década de 2030, o GAO projeta um déficit anual de US$ 1,2 bilhão — mais de R$ 6,5 bilhões — entre o custo de manutenção e o valor que as Forças Armadas dos EUA afirmam poder pagar.

Esse déficit pode ser ainda maior, já que as estimativas podem estar defasadas e não incluem impactos de operações recentes que elevaram as horas de voo.

O GAO também prevê cláusulas de incentivos pagos à Lockheed Martin. Entre 2020 e 2023, a empresa recebeu mais de US$ 114 milhões — aproximadamente R$ 622 milhões — mesmo com indicadores estagnados ou em queda. Em diversos períodos, as metas foram ajustadas para cima, o que elevou artificialmente os pagamentos.

Para o órgão, se o Pentágono não revisar a estrutura de incentivos, desenvolver planos de mitigação de riscos e implementar um sistema confiável para rastrear pagamentos, o programa F-35 corre o risco de ter sua capacidade de atenção comprometida.

Por Sputnik Brasil