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Prefeito de Nova York exalta Sócrates e mobilização social no futebol
Zohran Mamdani citou a Democracia Corinthiana ao defender o esporte como espaço de pertencimento e transformação social
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, defendeu, no último fim de semana, o futebol como espaço de mobilização social e exaltou o ex-jogador brasileiro Sócrates, uma das principais lideranças da Democracia Corinthiana, movimento que marcou a história do Corinthians e se tornou símbolo de resistência durante a ditadura militar no Brasil.
Mamdani publicou um vídeo nas redes sociais no sábado (13), antes da partida entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos. Na mensagem, o prefeito ressaltou a força política e social do futebol.
“O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los. Que jogo lindo”, afirmou.
Na publicação, disponível no perfil oficial da Prefeitura de Nova York no X, Mamdani também destacou os preparativos da cidade para receber jogos e atividades ligadas ao Mundial. Veja a publicação.
“Enquanto nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos criando e comemorando algo muito maior do que gols marcados e desarmes realizados. Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”, disse Mamdani.
Democracia Corinthiana
A Democracia Corinthiana foi um movimento histórico do futebol brasileiro, marcado pela participação de jogadores e funcionários nas decisões do clube. Por meio de votações, atletas e empregados passaram a decidir questões como horários de treinos e detalhes da concentração. Em 1982, Waldemar Pires foi eleito presidente do Corinthians e abriu espaço para o diálogo com o elenco profissional.
Entre os principais nomes do movimento estavam Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon, atletas politizados que se tornaram vozes de liderança dentro e fora de campo. A influência do grupo ultrapassou os limites do futebol. Naquele período, o Corinthians estampou em suas camisas mensagens de cunho político, como “Diretas Já”, em meio à articulação de movimentos sociais pela redemocratização do país.
A Democracia Corinthiana durou alguns anos e começou a perder força em 1984, quando Casagrande se transferiu para o São Paulo e Sócrates foi para a Fiorentina, da Itália. Durante aquele período, o Corinthians conquistou o Campeonato Paulista em 1982, 1983 e 1988. Em 1990, o clube venceria o Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.
No vídeo, Mamdani lembrou a atuação de Sócrates como meio-campista brasileiro nas décadas de 1970 e 1980, incluindo a Copa do Mundo de 1982, quando foi capitão da Seleção Brasileira.
“Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia. Eles iniciaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corintiana. Independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto”, declarou.
O prefeito também recordou a postura pública de Sócrates contra o regime militar. “E, enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderava os jogadores em campo, vestindo jaquetas com os dizeres ‘Quero votar no meu presidente’”, afirmou Mamdani.
O Brasil estreou contra o Marrocos na Copa do Mundo no sábado, em jogo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, cidade que integra a organização do torneio ao lado de Nova York. A partida pelo Grupo C terminou empatada em 1 a 1.
O democrata Zohran Mamdani, de 34 anos, tomou posse em janeiro deste ano como prefeito de uma das cidades mais importantes dos Estados Unidos. Ele é o primeiro muçulmano a comandar Nova York e o mais jovem a ocupar o cargo desde 1892.
Descendente de imigrantes, Mamdani se define como socialista, é crítico ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defensor da causa palestina.
Leia também: Revolução do Haiti: a história vetada pela Fifa em camisa da Copa; Clima de medo e preço alto afastam torcedores da Copa do Mundo nos EUA; Continente africano leva 10 seleções para a Copa do Mundo 2026.
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