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“África não é um tabuleiro”, diz general brasileiro ex-observador da ONU

João Gobert Damasceno afirma que o Brasil tem um soft power incomparável em missões de paz e na relação com países africanos

Sputnik Brasil 12/06/2026
“África não é um tabuleiro”, diz general brasileiro ex-observador da ONU
General João Gobert Damasceno destaca papel do Brasil em missões de paz na África - Foto: © telegram SputnikBrasil

Em um cenário internacional cada vez mais complexo e marcado pela disputa por recursos naturais, países da África e o Brasil compartilham riquezas estratégicas para a economia global, além de trajetórias históricas atravessadas pelo colonialismo.

A avaliação é do general João Gobert Damasceno, assessor militar da chefia de Educação e Cultura do Ministério da Defesa na área de patrimônio histórico e cultural militar. Para ele, o Brasil possui uma capacidade de exercer soft power considerada incomparável em determinados ambientes.

Com ampla experiência como representante brasileiro no continente africano, Damasceno teve seu primeiro posto no Sudão. Como observador militar da Organização das Nações Unidas (ONU), atuou em patrulhas, inspeções e contatos diretos com comunidades locais.

Segundo o general, a principal diferença entre uma operação militar convencional e uma missão de paz é que, nesta última, não há um inimigo definido. Por isso, as ações exigem articulação política, diplomática e humana para evitar o agravamento dos conflitos.

Damasceno também lamenta o atual cenário de enfraquecimento e de desconfiança global em relação à ONU, situação que, na avaliação dele, compromete a capacidade de atuação das missões de paz.

Na opinião do militar, ao contrário de países interessados apenas em recursos minerais ou na expansão de áreas de influência — muitas vezes fomentando conflitos locais em benefício próprio —, o Brasil demonstra, por meio de ações concretas, compromisso com a paz e o desenvolvimento das nações africanas.

Para o general, a África não deve ser tratada como um tabuleiro de disputas geopolíticas, mas como um agente ativo e relevante no cenário internacional.

Por Sputnik Brasil