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Dólar cai a R$ 5,06 com acordo entre EUA e Irã no radar e recua 1,86% na semana
Moeda norte-americana fechou em baixa de 0,79% nesta sexta-feira, em meio ao maior apetite por risco e à expectativa de juros elevados no Brasil
O dólar caiu com firmeza nesta sexta-feira (12), em linha com o desempenho da moeda norte-americana no exterior, mas permaneceu acima da marca de R$ 5,05. Sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã reduziram temores de pressão adicional sobre a inflação americana e estimularam a busca por moedas de países emergentes.
O real teve um dos melhores desempenhos entre as divisas mais líquidas. A melhora do apetite ao risco superou o efeito negativo da queda do petróleo sobre os termos de troca. A perspectiva de uma postura mais cautelosa do Banco Central na calibração da taxa Selic, após a divulgação do IPCA de maio, também pode ter contribuído para a valorização da moeda brasileira, ao reforçar a expectativa de manutenção de um amplo diferencial de juros.
Com mínima de R$ 5,0584 durante a tarde, o dólar à vista fechou em baixa de 0,79%, cotado a R$ 5,0615. Na semana, a moeda acumulou recuo de 1,86%.
A divisa ainda registra alta de 0,37% em junho, depois de avançar 1,82% em maio. No ano, a moeda norte-americana acumula queda de 7,79% frente ao real, que apresenta ganhos inferiores em 2026 apenas aos do rublo russo e do novo shekel israelense.
"Vimos hoje um movimento de valorização de divisas emergentes em relação ao dólar, com algum otimismo do mercado diante da possibilidade de um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio", afirma a economista-chefe para a América Latina da Coface, Patrícia Krause.
Pela manhã, houve informações desencontradas sobre as tratativas entre Irã e EUA. O presidente Donald Trump acusou Teerã de divulgar informações falsas sobre os termos de um suposto entendimento. Mais tarde, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o chamado Memorando de Entendimento de Islamabad "nunca esteve tão próximo" de ser concluído.
Segundo a Axios, Trump classificou, em breve conversa por telefone, as declarações de Araghchi como "muito positivas" e reiterou acreditar na assinatura de um acordo com o Irã ao longo do fim de semana ou na segunda-feira. Na reta final do pregão, o chanceler iraniano afirmou que o memorando de entendimento com os EUA terá 14 artigos e mencionou que Teerã garantirá a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz.
As cotações do petróleo recuaram mais de 3% diante da expectativa de acordo. Não houve aceleração relevante das perdas no pregão eletrônico após as declarações de Araghchi. Referência de preços nos Estados Unidos, o contrato do WTI para julho caiu 3,23%, a US$ 84,88 o barril. Já o Brent para agosto, referência para a Petrobras, recuou 3,37%, a US$ 83,77, acumulando baixa de 6,19% na semana.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, especialmente o euro e o iene, o índice DXY operou em leve queda e recuava pouco mais de 0,10% no fim da tarde, ao redor dos 99,700 pontos, após mínima de 99,635 pontos pela manhã. O Dollar Index acumula alta de 0,80% em junho e de mais de 1,50% no ano.
"O DXY tem se mantido bastante forte, apesar do tom duro do Banco Central Europeu e de um potencial cessar-fogo no Golfo. Esperamos que encontre suporte perto de 99,500", afirma, em nota, o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner. Segundo ele, o comportamento do DXY reflete o fato de o "gênio do aperto monetário" pelo Federal Reserve ter sido "solto da garrafa".
As expectativas são de que o Fed, além de manter a taxa básica de juros inalterada, adote tom cauteloso na superquarta, dia 17, primeiro encontro comandado por Kevin Warsh, indicado por Donald Trump à presidência do banco central americano. No Brasil, parte dos analistas, embora minoritária, já considera a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper o ciclo de queda dos juros diante da deterioração das expectativas de inflação.
Pela manhã, o IBGE informou que o IPCA desacelerou de 0,67% em abril para 0,58% em maio. O resultado, no entanto, superou a mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de 0,55%. Para a maioria dos analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a inflação oficial de maio acende um sinal amarelo para o Banco Central.
"O IPCA de maio acima do esperado reforçou a expectativa de um Banco Central mais cauteloso, sustentando o diferencial de juros e mantendo o real entre as moedas de melhor desempenho entre os emergentes", afirma Bruno Shahini, analista de investimentos da Nomad Investimentos.
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