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Polícia investiga denúncia de estupro de vulnerável na sede social do Palmeiras

Câmeras registraram criança de 4 anos entrando em banheiro masculino; associado de 74 anos foi suspenso pelo clube e nega as acusações

Estadao Conteudo 12/06/2026
Polícia investiga denúncia de estupro de vulnerável na sede social do Palmeiras
- Foto: Reprodução / Instagram

Imagens de câmeras de segurança da sede social do Palmeiras, na região de Perdizes, zona oeste de São Paulo, registraram o momento em que uma criança de 4 anos entra no banheiro masculino, na última quarta-feira (10), e permanece no local por cerca de 15 segundos.

A Polícia Civil investiga uma denúncia de estupro de vulnerável nas dependências do clube. As informações sobre as imagens constam no boletim de ocorrência do caso, ao qual o Estadão teve acesso.

O suspeito, um associado de 74 anos, foi suspenso pelo Palmeiras, que informou estar colaborando com as investigações. Segundo o clube, o material obtido pelas câmeras de segurança foi encaminhado às autoridades.

Em nota, os advogados do investigado afirmaram que ele nega integralmente as acusações e que solicitou acesso aos procedimentos instaurados para exercer plenamente o direito de defesa e apresentar os esclarecimentos necessários.

A mãe da criança prestou depoimento na noite do mesmo dia na 4ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher (DDM Norte) e também acionou a Polícia Militar.

De acordo com o boletim de ocorrência, ela relatou que perdeu a criança de vista enquanto aguardava o término da atividade de futebol do filho.

“Ao perceber sua ausência, passou a chamá-la em voz alta, sendo que pouco depois a menor retornou vindo da direção dos banheiros”, descreve o registro policial.

A mãe informou à polícia que, ao perguntar onde a criança estava, ela respondeu que se tratava de um “segredo” e acrescentou que havia estado no banheiro masculino.

Estranhando a situação, a mulher levou a criança para um local mais reservado e voltou a questioná-la sobre o ocorrido, mas, segundo o relato, a criança insistia em dizer que era um “segredo”.

Ao chegar em casa, a mãe reforçou que não havia segredos naquele ambiente e pediu novamente que a criança contasse o que havia acontecido. Nesse momento, conforme o boletim, a criança afirmou: “o vovô colocou a mão lá”.

A mãe relatou ainda que, ao dar banho na criança, percebeu “presença de secreção em sua região íntima”, circunstância que considerou incomum.

O boletim aponta que, quando a mãe retornou ao clube para que a criança recebesse acolhimento da equipe de enfermagem da instituição, funcionários da segurança verificaram as imagens do sistema de monitoramento.

Segundo o registro policial, os funcionários informaram que a criança efetivamente ingressou no banheiro masculino e permaneceu no local por aproximadamente 15 segundos.

O suspeito de levá-la até o banheiro seria um frequentador antigo do clube, que acompanhava o neto em atividades. De acordo com o relato da mãe, ele tinha o hábito de oferecer pipoca para atrair a atenção das crianças, o que também teria ocorrido naquela quarta-feira.

A criança foi encaminhada para exames no Instituto Médico-Legal (IML). O caso é investigado pela 3ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM Oeste).

Em nota, o Palmeiras afirmou que foi procurado pela mãe da criança para relatar um caso de abuso dentro das dependências da sede social. Um médico do clube prestou atendimento à criança, e advogados foram colocados à disposição da família durante o depoimento à polícia.

A presidente do clube, Leila Pereira, determinou a imediata suspensão do associado suspeito de envolvimento no caso. Segundo o Palmeiras, ele será expulso do quadro associativo caso a autoria do crime seja comprovada.

“O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente esclarecidos”, declarou o clube, em nota oficial.

Os advogados do associado afirmaram que ele só tomou conhecimento das acusações após a divulgação da nota pelo Palmeiras. A defesa ressaltou ainda que os procedimentos tramitam sob sigilo e que “eventual divulgação indevida de informações pessoais ou de dados protegidos será objeto das medidas judiciais cabíveis”.

“Após ter acesso integral aos elementos constantes dos procedimentos, o associado se manifestará oportunamente nos autos”, acrescentou a defesa, em nota. Segundo os advogados, o cliente está à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos.