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Integrante do BCE diz que alta de juros busca conter efeitos secundários da inflação

Emmanuel Moulin afirma que aperto monetário é necessário diante do choque energético provocado pela guerra no Golfo Pérsico

Estadao Conteudo 12/06/2026
Integrante do BCE diz que alta de juros busca conter efeitos secundários da inflação
Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt - Foto: © ANSA/EPA

O membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do Banco da França, Emmanuel Moulin, afirmou que a elevação dos juros anunciados na quinta-feira, 11, foi necessária para evitar que o choque inflacionário provocado pela guerra no Golfo Pérsico se espalhe de forma mais ampla pela economia da zona do euro.

Em publicação no LinkedIn, o dirigente destacou que a decisão de elevar a taxa de depósito de 2% para 2,25% tem como objetivo conter os efeitos de segunda rodada sobre os preços.

“Essa decisão sobre os juros é necessária para garantir que os efeitos da segunda rodada permaneçam contidos”, escreveu Moulin. Segundo ele, a medida se justifica nos diferentes cenários avaliados pelo BCE para a economia do bloco.

O dirigente afirmou que, três meses e meio após o início do conflito, já está claro que o choque energético tende a ser persistente, independentemente da evolução geopolítica no curto prazo. De acordo com Moulin, a alta dos preços do petróleo e do gás começou a ser repassada para outros componentes da cesta de consumo, especialmente alguns serviços, embora ainda não haja sinais de efeitos secundários por meio dos relatórios.

Moulin observou ainda que as projeções do BCE para a zona do euro foram revisadas para cima no caso da inflação e, de forma mais moderada, para baixo no caso do crescimento econômico. O comentário reforça a avaliação apresentada pela presidente da instituição, Christine Lagarde, de que os riscos inflacionários associados ao conflito permanecem elevados.

Apesar de ter se tornado firme em relação à inflação, Moulin acompanhou a posição de Lagarde ao reiterar que o BCE seguirá dependente dos dados para definir os próximos passos da política monetária. “Em um ambiente de elevada incerteza, continuaremos atentos à evolução dos diversos indicadores, sem nos comprometermos com uma trajetória predeterminada”, afirmou.