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Arminio Fraga: bets são tema de saúde pública, não da área econômica
Ex-presidente do Banco Central defende que governo trate apostas e cassinos online a partir dos impactos sobre a saúde mental
O ex-presidente do Banco Central e cofundador do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), Arminio Fraga, defende que bets e cassinos online sejam tratados pelo governo como uma questão de saúde pública, e não apenas sob a ótica financeira.
“Isso é um assunto de saúde, não é da área financeira-econômica. Existem amplas evidências”, afirmou Fraga nesta quinta-feira, 11, durante o Brasil Adiante. “Quando a gente joga roleta, são 38 números, sendo dois da casa (0 e 00). Nas bets, quantos números são da casa?”, questionou o economista.
O Brasil Adiante é um projeto do Estadão voltado à apresentação de propostas concretas para os principais problemas do País. O ciclo de debates segue até o fim de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento a ser entregue, em novembro, ao vencedor das eleições presidenciais. A proposta é encaminhar uma agenda integrada e executável para os primeiros 24 meses do próximo governo.
Como mostrou o Estadão, um estudo do Ieps estimou em R$ 38,8 bilhões por ano o custo dos danos associados ao jogo problemático. Desse total, R$ 30,6 bilhões correspondem a prejuízos relacionados à saúde. Somente o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, em média, 12 atendimentos virtuais diários em saúde mental para pessoas viciadas em bets nos dois primeiros meses de operação da plataforma.
Entre 3 de março e 18 de maio, foram registradas 883 consultas por vídeo com apoio de psicólogos e psiquiatras, segundo dados do Ministério da Saúde.
As teleconsultas são gratuitas e confidenciais. Cada atendimento dura cerca de 45 minutos, e o paciente pode receber até 13 sessões por ciclo, individuais ou em grupo. Familiares e integrantes da rede de apoio também podem participar dos encontros, realizados pelo SUS em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
Sistema previdenciário está em “estado pré-falimentar”
Arminio Fraga também voltou a defender uma nova reforma da Previdência, embora reconheça que o tema possa gerar certo “cansaço” na população brasileira. “Mas é preciso ter uma certa lucidez coletiva com que nem sempre podemos contar”, disse.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer chegou a 76,6 anos em 2024. Em 1940, início da série histórica, era de 45,5 anos. Com uma população mais jovem, boa parte da demanda por saúde se concentrava em pré-natal, parto, vacinação, pediatria, acidentes, infecções e condições agudas.
“Não dá para falar de envelhecimento sem falar de Previdência”, afirmou Fraga. Para o ex-presidente do Banco Central, o sistema previdenciário está em “estado pré-falimentar” e representa um “problema enorme”. “Não há chance de as coisas darem certo aqui sem reforma da Previdência profunda”, completou.
Ao tratar dos desafios do financiamento da saúde, Fraga defendeu mais realismo na incorporação de novas tecnologias e tratamentos ao sistema. Segundo ele, o debate precisa considerar os limites financeiros disponíveis.
“Tem que haver uma dose de realismo por parte das autoridades”, afirmou. Para Fraga, é necessário ajustar os processos de incorporação de tratamentos e admitir que, em alguns casos, os custos também precisam pesar na decisão sobre a oferta de determinados procedimentos.
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