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El Niño já começou e deve ganhar força no fim do ano, aponta agência dos EUA

NOAA prevê intensificação do fenômeno climático, que pode elevar o risco de secas, chuvas extremas e ondas de calor em várias regiões do planeta

Estadao Conteudo 11/06/2026
El Niño já começou e deve ganhar força no fim do ano, aponta agência dos EUA
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O El Niño já começou e a previsão é de que o particular se intensifique no fim do ano, informou a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) nesta quinta-feira, 11.

Na semana passada, a diretora da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, afirmou que o mundo precisa se preparar para um El Niño capaz de “exacerbar a seca e as chuvas intensas e aumentar o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano”.

O El Niño é uma previsão climática natural pelo aquecimento das temperaturas da superfície no Pacífico equatorial central e oriental. Esse processo provoca mudanças globais nos ventos, na pressão atmosférica e nos padrões de variações.

Em geral, as manifestações ocorrem a cada dois a sete anos e duram de nove a doze meses. As condições climáticas oscilam entre o El Niño e seu oposto, La Niña, com períodos neutros entre eles.

Segundo a OMM, mesmo um El Niño moderado torna alguns eventos climáticos extremos mais prováveis. O último episódio contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado e para que 2024 se tornasse o ano com a temperatura mais alta da história, cerca de 1,55°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.

Alerta climático

Entre o fim de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial centro-oriental — área usada como referência para monitoramento — aproxima-se dos limiares do El Niño, segundo a OMM. As temperaturas subsuperficiais ficaram mais de 6°C acima da média.

Ao mesmo tempo, o Índice de Oscilação Sul, componente atmosférico associado ao El Niño, também apresentou sinais compatíveis com o desenvolvimento da manifestação.

A OMM afirmou que não há evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou a intensidade dos eventos de El Niño. No entanto, a agência alerta que elas podem amplificar os seus efeitos, já que os oceanos e a atmosfera mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e umidade para eventos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas.

Para a organização, a resposta exige ação eficaz climática compatível com a crise: reduzir a dependência de combustíveis fósseis, acelerar a transição para energias renováveis, proteger a população mais vulnerável e implementar sistemas de alerta precoce acessíveis a todos.

Temperaturas acima do normal

Embora o El Niño normalmente atinja seu pico entre novembro e fevereiro, o aumento de temperatura associado ao costuma ocorrer mais tarde, dependendo do início e da intensidade do evento.

A OMM prevê, de junho a agosto, “uma predominância quase universal de temperaturas acima do normal em praticamente todo o globo”.

Esse cenário eleva o risco de agravamento de impactos em algumas regiões e pode acelerar o início de condições de seca onde haja redução das chuvas.

A expectativa da OMM é que o alerta antecipado ajude na preparação, especialmente em setores sensíveis ao clima, como agricultura, gestão de recursos hídricos, energia e saúde.

Centros climáticos regionais preveem chuvas abaixo do normal durante a estação crucial chuvosa de junho a setembro no norte do Chifre da África; monções abaixo da média no sul da Ásia; e verões mais secos e quentes na América Central.

Durante o verão no hemisfério norte, as águas quentes associadas ao El Niño podem favorecer a formação de furacões no Pacífico central e oriental, ao mesmo tempo em que dificultam seu desenvolvimento no Oceano Atlântico.