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Lagarde diz que alta de juros do BCE foi motivada por pressões inflacionárias ligadas à guerra
Presidente do Banco Central Europeu afirmou que choque nos preços de energia deve manter inflação acima da meta até 2027
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira, 11, que a decisão da autoridade monetária da zona do euro de elevar os juros em 25 pontos-base foi motivada pelas pressões inflacionárias associadas à guerra no Oriente Médio e pelas projeções sobre os impactos do choque de energia no bloco europeu.
Em entrevista coletiva após o anúncio, Lagarde disse que a inflação deve retornar à meta apenas no segundo semestre de 2027. Esta foi a primeira alta de juros do BCE desde setembro de 2023.
Segundo ela, os riscos para a perspectiva de crescimento estão inclinados para baixo, enquanto as expectativas de inflação seguem em alta.
“Monitoraremos de perto o tamanho e a persistência do choque da energia”, afirmou a presidente do BCE, acrescentando que o conflito tem pesado sobre a atividade econômica da União Europeia.
Lagarde explicou que pesquisas recentes apontam para uma desaceleração, especialmente no setor de serviços, e que a demanda por trabalho esfriou ainda mais.
De acordo com a presidente do BCE, a demanda doméstica deve ser mais fraca do que a observada em março, embora o consumo continue sendo o principal motor do crescimento. “Os indicadores de salários continuam a indicar uma redução nos custos trabalhistas em 2026”, acrescentou.
Espalhamento
Lagarde afirmou também que a inflação na zona do euro começa a se disseminar por diferentes setores da economia, em um sinal de que o choque provocado pela alta dos preços de energia pode estar gerando efeitos mais amplos sobre os preços.
“Estamos começando a ver uma ampliação da inflação pela economia”, disse Lagarde.
Segundo a dirigente, a autoridade monetária espera que a inflação retorne à meta de 2% apenas no outono de 2027 no Hemisfério Norte, refletindo a persistência das pressões inflacionárias observadas após a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Defesa da decisão
Lagarde defendeu a decisão anunciada e a classificou como uma “boa decisão”. Na avaliação da presidente do BCE, o principal risco para a economia e para a estabilidade de preços seria justamente não ter promovido o aperto monetário.
“O principal risco da decisão de hoje era não tomar a decisão que tomamos”, afirmou.
Apesar da piora nas perspectivas econômicas da região, Lagarde demonstrou confiança na capacidade de consumo das famílias nos próximos anos. A renda líquida dos trabalhadores deverá permanecer positiva, o que, segundo a dirigente, reforça a expectativa de que o consumo siga como um dos principais motores do crescimento da zona do euro.
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