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Estudantes da Unicamp e da Unesp mantêm greve após fim da paralisação na USP

Mobilizações cobram melhorias em permanência estudantil, moradia, alimentação e contratações nas universidades estaduais paulistas.

Estadao Conteudo 11/06/2026
Estudantes da Unicamp e da Unesp mantêm greve após fim da paralisação na USP
Greve na USP

Estudantes das três universidades estaduais paulistas realizaram greves neste ano para reivindicar melhorias nas políticas de permanência estudantil, moradia e alimentação. Até esta quinta-feira, 11, a única paralisação encerrada é a organizada por alunos da Universidade de São Paulo (USP).

Na segunda-feira, 8, estudantes da USP aprovaram o fim da greve em assembleia geral convocada pelo Diretório Central Estudantil (DCE), após 54 dias de paralisação das atividades.

Desde então, assembleias de cada curso vêm deliberando sobre o encerramento ou a continuidade da mobilização em suas respectivas unidades. Mesmo antes do fim oficial da greve, cursos como Direito, Enfermagem e Medicina já haviam retomado as aulas.

Unicamp

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a greve geral ocorre desde 18 de maio. Na segunda-feira, estudantes ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), órgão responsável pela gestão das atividades administrativas da instituição.

Em nota, o DCE afirmou que a reitoria enviou e-mails que, segundo a entidade, “tentavam chantagear” a mobilização estudantil e “impor o fim da greve”, sem novas negociações e sem formalizar propostas já discutidas.

De acordo com a organização, pontos centrais reivindicados pelos alunos ficaram fora das negociações, como a contratação de novos docentes, a entrega de obras em andamento e a concessão de auxílio-permanência sem critérios de desempenho.

A reitoria lamentou a ocupação e afirmou que a ação prejudicou o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, bolsas e auxílios estudantis, além do funcionamento dos restaurantes universitários.

Na quarta-feira, 10, o DCE informou que retomou as negociações após receber da reitoria “uma retratação à postura intransigente que visava colocar fim à greve estudantil”. Segundo a entidade, a gestão propôs a reabertura do diálogo em uma reunião para “consolidar compromissos assumidos anteriormente”.

A reitoria, por sua vez, publicou os termos da proposta apresentada aos alunos em 3 de junho. Entre os pontos estão a criação de grupos de trabalho para discutir bolsas de permanência e a viabilização da moradia estudantil em Limeira, com perspectiva de investimento de até R$ 20 milhões. A administração afirmou ainda que seguirá aberta ao debate e ao aperfeiçoamento de suas políticas.

Uma nova reunião entre os dois lados está agendada para esta quinta-feira, 11.

Unesp

Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), os primeiros passos da greve estudantil foram dados no início de maio, em meio ao avanço das paralisações nas demais universidades estaduais.

O movimento, no entanto, ganhou força após a reitora da Unesp, professora Maysa Furlan, determinar a suspensão temporária da homologação de concursos públicos para docentes, pesquisadores e técnicos administrativos, sob a justificativa de dificuldades orçamentárias.

A medida atinge o plano orçamentário de 2026, que prevê a contratação de 150 docentes e 100 servidores técnico-administrativos ao longo do ano. Com a decisão, as contratações ficam temporariamente congeladas.

A decisão foi questionada pela Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp). A entidade afirma que o orçamento da universidade para 2026, aprovado pelo Conselho Universitário, prevê recursos financeiros necessários para a contratação de todos os docentes, pesquisadores e técnicos administrativos aprovados em concursos pendentes de homologação.

Na quarta-feira, estudantes realizaram um protesto em frente à reitoria durante reunião entre o Fórum das Seis — articulação sindical e estudantil que reúne entidades representativas de servidores, professores e estudantes da USP, Unicamp e Unesp — e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).