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Visitas de Lula e Flávio Bolsonaro à Casa Branca não são simétricas, avalia analista

Para Monica Hirst, recepção ao senador indica que Donald Trump mantém vínculo ideológico com o bolsonarismo, apesar do encontro protocolar com o presidente brasileiro.

Sputnik Brasil 10/06/2026
Visitas de Lula e Flávio Bolsonaro à Casa Branca não são simétricas, avalia analista
Donald Trump recebeu Lula e Flávio Bolsonaro em agendas distintas na Casa Branca - Foto: © telegram SputnikBrasil

A agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último mês, foi marcada pela presença de brasileiros em Washington. De um lado, houve a recepção protocolar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva; de outro, a visita do senador Flávio Bolsonaro ao Salão Oval.

Embora os gestos possam parecer semelhantes, a leitura da pesquisadora Monica Hirst é de que eles são assimétricos. Segundo ela, o movimento de Trump não tem caráter meramente pragmático. Se tivesse, afirma, o presidente norte-americano “não teria recebido o potencial candidato opositor do chefe de Estado, que havia sido recebido dez dias antes”.

Para a analista, a decisão de receber Flávio Bolsonaro sinaliza um compromisso de Trump de não deixar para trás a vinculação ideológica já estabelecida com o bolsonarismo. “Se não deixa para trás, coloca para frente”, avaliou.

Monica Hirst também destacou que o Brasil tem sido tratado por Washington como qualquer outra república latino-americana, o que, segundo ela, causa incômodo. “Isso é uma coisa que incomoda muito o Brasil, em geral, e esse governo, em particular. Esse governo tem reivindicado um tratamento à altura do peso político e econômico que o país tem na região e no contexto internacional”, afirmou.

Os encontros ocorreram em meio a temas sensíveis da relação bilateral, como as novas tarifas impostas ao Brasil, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e o debate sobre soberania nacional, especialmente em relação ao Pix.

Enquanto Lula tem defendido a soberania nacional nas negociações com os Estados Unidos, Flávio Bolsonaro comemorou a sinalização favorável de Trump à designação das facções como organizações terroristas. Em seguida, o senador tentou se desvincular da imagem de incentivador de tarifas contra empresas brasileiras.

Por Sputnik Brasil