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Bill Gates diz que Epstein tentou chantageá-lo com informações sobre infidelidade
Cofundador da Microsoft afirmou ao Congresso dos EUA que o financista usou dados pessoais para pressioná-lo a retomar contato
O bilionário Bill Gates, cofundador da Microsoft e filantropo, declarou a uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 10, que o criminoso sexual Jeffrey Epstein tentou explorar informações sobre seus casos extraconjugais "para me pressionar a retomar o contato com ele", depois que Gates já havia iniciado o rompimento da relação.
A afirmação foi feita na declaração inicial de Gates ao Comitê de Supervisão da Câmara, que o questionou sobre seus vínculos com Epstein em uma audiência fechada. O colegiado investiga a atuação do Departamento de Justiça nas apurações sobre o financista e seus associados.
Um representante de Bill Gates divulgou uma cópia da declaração antes da audiência, que tinha previsão de durar quatro horas. No depoimento, Gates reiterou declarações anteriores de que se arrepende de ter mantido contato com Epstein, mas afirmou que nunca o viu envolvido em qualquer "conduta criminosa". Ele também disse que "nunca vitimou ninguém".
As revelações sobre as interações entre Gates e Epstein começaram a vir à tona pouco depois da prisão do financista pelas autoridades federais, em 2019, sob acusações de tráfico sexual. O episódio abalou a reputação de Gates, contribuiu para o desgaste de seu casamento e levou sua fundação beneficente a autorizar, neste ano, uma investigação externa sobre seus laços com Epstein.
"No meu trabalho, a reputação é a base para desenvolver parcerias que salvam vidas. O encontro com Epstein foi um grave erro de julgamento e colocou esse trabalho em risco", disse Gates em sua declaração. "Seu comportamento foi antitético a todos os meus esforços para contribuir para um mundo onde todos tenham a chance de viver uma vida saudável e produtiva."
Como se deu o relacionamento
As tratativas entre Gates e Epstein começaram em 2011, cerca de três anos depois de o financista ter se declarado culpado na Flórida por aliciar uma menor para prostituição. A admissão de culpa ocorreu após um controverso acordo de não persecução penal com procuradores federais, que interrompeu uma investigação sobre alegações de que Epstein teria abusado sexualmente de dezenas de adolescentes de forma recorrente — algumas com apenas 14 anos.
Ao ser apresentado a Epstein, em 2011, Gates afirmou que deveria ter pesquisado mais sobre o homem com quem iria se encontrar.
"Lembro-me de ter conhecimento de que Epstein havia enfrentado problemas legais anteriores, mas não compreendia totalmente a extensão dos crimes que ele cometeu", declarou. "Aceitei a apresentação sem a devida análise."
Até 2014, Gates teve vários encontros com Epstein, principalmente para discutir a possibilidade de criar um fundo de doação com aconselhamento, modalidade filantrópica com vantagens fiscais. Epstein também conversou sobre o fundo com banqueiros do JPMorgan Chase e esperava ser remunerado pelo trabalho. O projeto, no entanto, nunca se concretizou e, no fim de 2014, as conversas praticamente cessaram.
Gates disse que, depois de interromper as negociações com Epstein, descobriu que o financista tentava usar seus problemas conjugais para obter vantagem sobre ele.
Epstein tinha um padrão de buscar informações pessoais sobre algumas das pessoas com quem se relacionava, a fim de se colocar em uma posição de influência e fazer com que percebessem que ele sabia detalhes sobre suas vidas privadas.
"Como o público agora pode ver, com base no que foi divulgado nos arquivos, Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades", afirmou Gates.
O comitê da Câmara já entrevistou diversas pessoas próximas a Epstein, incluindo o ex-presidente Bill Clinton e o magnata do varejo Leslie Wexner. O colegiado também agendou depoimentos de James Staley, executivo de Wall Street que por anos foi um dos principais defensores de Epstein no JPMorgan, e de Leon Black, bilionário do setor de private equity que pagou a Epstein US$ 170 milhões por serviços de consultoria tributária e patrimonial.
A convocação ocorreu após a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça americano no âmbito das investigações sobre Epstein. Os arquivos reúnem registros de encontros, trocas de mensagens e fotografias envolvendo empresários, políticos e outras personalidades que mantiveram contato com o financista ao longo dos anos.
Parlamentares democratas também defendem que o presidente Donald Trump seja ouvido, citando sua antiga relação com Epstein. Republicanos, por sua vez, afirmam não ter encontrado evidências de irregularidades envolvendo o atual presidente.
Epstein foi indiciado pelo governo federal americano em 2019 por acusações de tráfico sexual de menores e conspiração para exploração sexual. Segundo os promotores, ele manteve, entre 2002 e 2005, uma rede de adolescentes, algumas com apenas 14 anos, para fins de abuso sexual. O financista morreu na prisão, em Nova York, enquanto aguardava julgamento.
*Com informações de agências internacionais.
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