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Lula alerta México sobre risco de desestabilização e anuncia conversa com Claudia Sheinbaum

Presidente compara cenário mexicano às manifestações de 2013 no Brasil e defende soberania nacional durante reunião do Conselhão

Sputnik Brasil 10/06/2026
Lula alerta México sobre risco de desestabilização e anuncia conversa com Claudia Sheinbaum
Lula discursa durante reunião do Conselhão no Palácio Itamaraty, em Brasília - Foto: © Sputnik / Leonardo Sobreira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (10) que conversará por telefone com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para tratar da conjuntura política do país. Durante o pronunciamento, Lula alertou para o que classificou como riscos de desestabilização semelhantes aos vividos pelo Brasil a partir das manifestações de 2013, conhecidas como “manifestações dos 20 centavos”.

As declarações foram feitas durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselho, realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.

Com o tema “Da soberania nacional ao protagonismo global”, o encontro reuniu ministros do governo federal, empresários e lideranças da sociedade civil para discutir metas de desenvolvimento nacional até 2035 e políticas sustentáveis. Segundo o Palácio do Planalto, a reunião teve como foco a construção de estratégias para ampliar o crescimento econômico e fortalecer a inserção internacional do Brasil.

Ao comentar a situação política mexicana, Lula disse que pretende conversar brevemente com Claudia Sheinbaum. O presidente afirmou enxergar no México sinais de uma movimentação semelhante à que, segundo ele, contribuiu para a instabilidade política brasileira a partir de 2013.

Sobre o tema, Lula alertou que, “por um dedo que talvez nem seja mexicano”, protestos semelhantes aos registrados no Brasil poderiam ganhar força no México. Segundo ele, essas mobilizações abriram espaço para mudanças profundas no cenário político brasileiro.

“Todo mundo está lembrado de que uma simples reivindicação de 20 centavos de aumento do transporte foi o grande eixo para que a extrema direita tomasse conta das ruas”, afirmou.

Durante o discurso, o presidente também criticou correntes de pensamento interessantes aos investimentos públicos e associou essa visão aos problemas históricos de desenvolvimento do país.

“Quanto custou não fazer ap**** das coisas certas nesse país?”, questionou Lula, ao defender o papel do Estado na promoção do crescimento econômico, da infraestrutura e da inclusão social.

O presidente também comentou as ameaças de novas tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Lula questionou os argumentos ambientais utilizados para circunstâncias possíveis restritivas e destacou os resultados obtidos pelo Brasil na redução do desmatamento.

"Por muito desmatamento? Será que eles não percebem que eles já estão carecas? E que nós ainda estamos como jogadores cortando só um pedacinho aqui do lado? Será que eles não se dão conta de que nós, nesses três anos, diminuímos o desmatamento em todos os biomas?", declarou, ao questionar os motivos citados pelos EUA para as novas tarifas.

Lula defendeu a soberania nacional como elemento central da estratégia de desenvolvimento do país e ressaltou a necessidade de fortalecer políticas públicas capazes de ampliar a capacidade produtiva brasileira, reduzir desigualdades e consolidar a presença do Brasil nos principais fóruns internacionais.

Outro destaque do discurso foi o anúncio do futuro lançamento do programa “Telefone Seguro”, iniciativa voltada ao combate ao furto e roubo de celulares. A medida busca ampliar os mecanismos de proteção aos usuários e dificultar a utilização de aparelhos subtraídos, integrando ferramentas digitais para bloqueio e rastreamento de dispositivos.

Segundo Lula, a iniciativa faz parte de um conjunto de ações voltadas à proteção dos cidadãos e ao enfrentamento de crimes patrimoniais, além de contribuir para reduzir os prejuízos causados ​​pelo mercado ilegal de celulares.