Geral
CCJ do Senado aprova PEC que amplia autonomia financeira do Banco Central
Texto segue para o plenário e prevê que o BC tenha orçamento próprio; governo tenta negociar ajustes antes da votação final.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, 10, em votação simbólica, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65, que concede autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central (BC). O texto, que tramitava no colegiado há mais de dois anos, agora segue para análise do plenário.
Antes da votação, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), pediu o adiamento da análise para que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, pudesse discutir pontos da proposta com o relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM). Com a negativa, Wagner solicitou que Plínio se reúna com Durigan antes da votação em plenário.
O substitutivo mais recente apresentado pelo relator transforma o BC em uma “entidade pública de natureza especial”. Pela proposta, a autoridade monetária teria autonomia para formular o próprio orçamento, que seria apreciado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e por uma comissão do Senado. O texto também inclui o Pix na Constituição.
O governo resiste à proposta sob o argumento de que a mudança poderia aumentar a volatilidade dos resultados primários. Como o BC deixaria de ser uma autarquia, eventuais transferências entre o Tesouro Nacional e o banco passariam a ser contabilizadas como fluxo primário, e não mais financeiro, como ocorre atualmente.
A equipe econômica chegou a elaborar uma proposta alternativa, que resultou em emenda apresentada por Wagner nesta quarta-feira. O texto manteria o BC como autarquia federal, buscando reduzir as preocupações com a volatilidade dos resultados primários, e deixaria a aprovação do orçamento da autoridade monetária exclusivamente a cargo do CMN.
“Essa emenda é a posição de governo sobre o Banco Central. Ela foi escrita a várias mãos, entre o próprio presidente do BC, o secretário-executivo do Planejamento, Bruno Moretti, e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan”, afirmou Wagner. O senador disse ter recebido o texto às 22h de terça-feira, 9.
Durante a sessão da CCJ, os senadores chegaram a discutir a possibilidade de acordo para unificar os textos, mas a alternativa foi rejeitada. A expectativa, agora, é que eventuais ajustes sejam negociados durante a tramitação da proposta no plenário do Senado.
Mais lidas
-
1PERFIL | JUSTIÇA
Quem é a juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo julgamento do Caso Henry Borel
-
2ATAQUE NA PRAIA DE PIEDADE
Menino de 11 anos é atacado por tubarão e passa por cirurgia em Pernambuco
-
3ACIDENTE INDUSTRIAL
Fábrica de fogos de artifício pega fogo e causa explosões em Malta
-
4TÊNIS BRASILEIRO FAZ HISTÓRIA
João Fonseca quebra jejum de mais de 20 anos ao chegar às quartas de final de Roland Garros
-
5CASO HENRY BOREL
Atual mulher de Jairinho depõe no julgamento e minimiza relatos de violência: 'Defeito dele era a infidelidade'