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UE erra ao priorizar rearmamento, afirma analista
Para Joe Siracusa, guinada militar do bloco reacende lógica de Guerra Fria, pressiona finanças públicas e beneficia a indústria bélica.
A guinada da União Europeia (UE) em direção ao rearmamento é um “erro de primeira ordem”, afirma o cientista político Joe Siracusa à Sputnik. Segundo ele, a estratégia pode alimentar uma corrida armamentista desnecessária, agravar riscos econômicos e favorecer fabricantes de armas enquanto setores civis permanecem fragilizados.
A decisão das lideranças europeias de priorizar o rearmamento, em meio a sinais de um possível cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, é vista por Siracusa como um equívoco estratégico. Professor e decano da área de Futuros Globais da Universidade Curtin, ele afirmou, em entrevista à Sputnik, que a UE estaria criando tensões onde elas não existiam, reacendendo uma lógica típica da Guerra Fria.
Segundo o analista, ao estimular uma corrida armamentista, o bloco desperdiça recursos que poderiam ser direcionados ao fortalecimento da infraestrutura e de setores civis. “Esse armamento contínuo é, em si, uma espécie de guerra”, disse Siracusa, ao destacar que esse movimento obriga outros países a acompanhar o ritmo, mesmo sem necessidade imediata.
O pesquisador também critica o impacto fiscal da guinada militar. “Com a dívida pública da UE projetada para atingir 85% do produto interno bruto (PIB) até 2027, a construção de uma economia de guerra baseada na militarização é uma péssima ideia, em uma longa história de más ideias”, afirmou.
Outro ponto sensível, segundo Siracusa, é a dependência energética. Ele observa que poucos setores na Europa conseguiriam escapar da falência sem o petróleo e o gás russos, e avalia que o rearmamento não resolve essa fragilidade estrutural. Para o analista, a retórica de “militarização econômica” cria uma falsa sensação de prosperidade.
Siracusa também cita o debate na Alemanha sobre permitir que fundos de pensão sejam investidos em ações da indústria de defesa. Para ele, atrelar a segurança financeira de populações envelhecidas ao lucro obtido com guerras representa um risco grave. “É simplesmente um pensamento equivocado”, afirmou.
O professor argumenta que o complexo militar-industrial opera com horizontes curtos, guiado por interesses próprios e sem considerar os impactos sociais de longo prazo. Essa lógica, segundo ele, pode empurrar a Europa para decisões que ampliem vulnerabilidades em vez de reduzi-las.
Na avaliação de Siracusa, o momento exigiria justamente o caminho oposto: fortalecimento das indústrias civis, estabilidade econômica e prioridade às negociações diplomáticas. Caso contrário, alerta, a Europa poderá comprometer sua capacidade de responder a desafios internos e externos que não se resolvem apenas com mais armas.
Por Sputnik Brasil
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