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Municípios devem guardar vacina do Butantan até nova orientação

Ministério da Saúde suspendeu temporariamente o uso do imunizante contra a dengue após registro de reações graves sob investigação.

10/06/2026
Municípios devem guardar vacina do Butantan até nova orientação
Municípios devem manter vacinas do Butantan em estoque até nova orientação do Ministério da Saúde

Municípios e estados devem manter armazenadas as vacinas contra a dengue do Butantan até nova orientação do Ministério da Saúde. A informação foi dada pelo diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti.

Na última segunda-feira (8), o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina após o registro de 42 casos de reações graves e duas mortes. Os casos estão sob investigação para verificar se há relação com o imunizante.

“A orientação é que os municípios coloquem o imunobiológico em reserva dentro da sua rede de frio, ou seja, nós não vamos distribuir mais vacinas de dengue por ora. Os estados que tiverem vacina de dengue no seu estoque devem segurar essa vacina. Os municípios que eventualmente tenham vacinas no seu território devem também guardar essas vacinas até segunda ordem”, explicou Gatti, em entrevista à Rádio Nacional.

Segundo o Ministério da Saúde, foi a vigilância de rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI) que identificou as 42 pessoas que apresentaram sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e até perda de consciência.

Também foram verificados três casos graves com quadro típico de dengue grave, que exigiram internação. Duas pessoas morreram.

Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam sido vacinadas com o imunizante, entre profissionais de saúde e público acima de 15 anos, em três cidades: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além da região de Araguaína (TO).

Casos inusitados

A suspensão temporária foi adotada como medida de precaução pelo Ministério da Saúde, para evitar riscos até que os casos identificados sejam esclarecidos. O governo informou que a suspensão não significa que a vacina deixou de ser eficaz na prevenção de casos e mortes por dengue.

Os eventos adversos são considerados inusitados porque não apareceram durante o período de testes clínicos.

“Uma vez que a gente começa a usar em larga escala, é quando os eventos muito raros começam a aparecer. A vigilância do programa é que capta esses casos. O que aconteceu agora foi algo inesperado, identificado numa ação de vigilância de rotina, o que demonstra, inclusive, que a vigilância do Programa Nacional de Imunização está funcionando muito bem. O programa cuida da qualidade e da segurança da vacinação que é feita na nossa população”, afirmou.

A expectativa do Programa Nacional de Imunizações é que, após a divulgação dos casos de reação adversa e da suspensão da vacina, novas notificações possam ser identificadas.

“Após darmos publicidade à ocorrência desses casos, é de se esperar que a vigilância se sensibilize, ou seja, ela comece a captar mais casos, porque as pessoas que eventualmente apresentaram algo e não buscaram assistência ou não foram notificadas, agora elas vão buscar notificação”, explicou Gatti.

Quem deve ficar atento

Pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem ficar atentas a sintomas como febre, dor no corpo, manchas na pele, sangramento e vômito. Caso eles surjam, a orientação é procurar atendimento médico.

Esse é o período em que a forma enfraquecida do vírus da doença ainda pode estar no sangue e, por isso, provocar reações.

“Elas precisam ficar atentas para o surgimento de sintomas do tipo febre acompanhado de outros sintomas como, por exemplo, dor no corpo, manchas pelo corpo, sinais de sangramento, vômito. Tudo aquilo que leve a pensar em dengue. As pessoas precisam ficar atentas e se, porventura, tiverem algum desses sinais ou sintomas, devem procurar um serviço de saúde, devem procurar assistência”, orientou o diretor.

De acordo com Gatti, quem foi vacinado há mais de 21 dias não apresenta risco relacionado a esses eventos.

“As pessoas que foram vacinadas há mais de 21 dias estão fora de qualquer tipo de risco e, inclusive, estão protegidas contra dengue”, disse. Ele acrescentou que a vacina do Butantan evita 65% dos casos de dengue e mais de 80% dos casos graves e das hospitalizações.

Retomada da vacina do Butantan

O diretor informou que um comitê de especialistas está sendo convocado para realizar estudos e avaliar os dados detectados pela vigilância.

“A partir dessa avaliação [do comitê], a gente vai definir prazos e até uma decisão final posterior. Ainda é cedo para eu dizer quando é que a gente vai ter uma decisão definitiva”, declarou.

Vacina Qdenga

A vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda, do Japão, e recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue sendo aplicada normalmente. Gatti destacou que a vacina do Butantan é indicada apenas para pessoas com 15 anos ou mais.

“O SUS tem outra vacina da dengue, que é a vacina do laboratório Takeda. Ela é recomendada para pessoas de 10 a 14 anos e não apresentou qualquer tipo de sinal de segurança [alerta], ou seja, essa vacina segue com sua vacinação sendo feita normalmente”, esclareceu.

* Com colaboração de Pedro Lacerda, da Rádio Nacional.